Dólar reduz alta sobre o real após Yellen indicar cautela; BC sustenta cotações

terça-feira, 29 de março de 2016 15:55 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar reduziu a alta frente ao real após a chair do Federal Reserve, Janet Yellen, afirmar que o banco central dos Estados Unidos deve prosseguir "cautelosamente", enfraquecendo as expectativas de aumentos dos juros norte-americanos.

Ainda assim, a moeda norte-americana continuava em alta e na casa dos 3,65 reais, após o Banco Central brasileiro atuar para sustentar as cotações. O movimento do câmbio vinha também antes da reunião do PMDB que vai decidir pelo rompimento com o governo.

Às 13:45, o dólar avançava 0,72 por cento, a 3,6517 reais na venda, após atingir 3,6774 reais na máxima do dia. A moeda norte-americana recuou 1,51 por cento na sessão passada em antecipação ao desembarque do maior partido da base aliada.

"Yellen usou um tom mais prudente do que o mercado esperava e isso ajuda o real", disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

Em evento em Nova York, Yellen disse que os riscos globais não devem ter impacto profundo sobre os EUA mas ainda é apropriado proceder "cautelosamente" ao aumentar os juros.

O Fed vem sinalizando que pretende promover pelo menos dois aumentos de juros neste ano, o que reduziria a atratividade de ativos emergentes. A esse respeito, Yellen disse que a projeção não é um "plano", mas depende da evolução da economia.

O dólar chegou a subir com força mais cedo, após o BC vender 19.520 contratos de swap reverso, que equivalem a compra futura de dólares, dos 20.000 ofertados em leilão nesta sessão. Trata-se da quinta operação desse tipo neste mês, ferramenta que não era utilizada há três anos.

"O BC está sinalizando que quer conter a desvalorização do dólar, que vai agir quando o dólar cair demais", disse mais cedo o operador da corretora Correparti Ricardo Gomes da Silva, ressaltando que a fraqueza da moeda dos EUA tende a prejudicar exportadores brasileiros.   Continuação...

 
Notas de dólar e real em casa de câmbio do Rio de Janeiro. 07/05/2004 REUTERS/Bruno Domingos