Com queda nas receitas, Brasil tem déficit primário recorde para fevereiro, de R$23 bi

quarta-feira, 30 de março de 2016 11:04 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O setor público brasileiro registrou déficit de 23,04 bilhões de reais em fevereiro, maior rombo para o mês da série histórica do Banco Central iniciada em dezembro de 2001, em meio ao cenário de recessão que tem afetado as receitas e dificultado o reequilíbrio das contas públicas do país. No acumulado do primeiro bimestre, contudo, a economia para pagamento de juros da dívida pública segue positiva em 4,873 bilhões de reais, informou o Banco Central nesta quarta-feira, beneficiada pelo superávit de janeiro, em grande parte afetado pelo ingresso de receitas extraordinárias.O rombo em fevereiro veio muito acima das expectativas em pesquisa da Reuters, que apontavam para déficit de 10 bilhões de reais. No acumulado em 12 meses, o saldo primário negativo passou a responder por 2,11 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), outro recorde negativo da série. No mês passado, o governo central (governo federal, BC e Previdência) amargou déficit primário de 26,433 bilhões de reais, enquanto os governos regionais (Estados e municípios) tiveram superávit primário de 2,731 bilhões de reais. As empresas estatais também tiveram resultado positivo, de 662 milhões de reais. A meta de superávit primário para o setor público consolidado é de 30,6 bilhões de reais em 2016, equivalente a 0,5 por cento do PIB. Contudo, o Ministério da Fazenda divulgou na semana passada que quer aval do Congresso Nacional para poder registrar déficit primário de até 96,05 bilhões de reais, devido à contínua queda na arrecadação num momento de forte contração econômica. Se confirmado, este será o terceiro resultado no vermelho consecutivo para as contas públicas. Sem conseguir fazer superávit, a tendência é de deterioração da dívida pública, considerada importante indicador de solvência do país. Em fevereiro, informou o BC, a dívida bruta subiu a 67,6 por cento do PIB, ante patamar revisado de 67,4 por cento em janeiro. Por sua vez, a dívida líquida foi a 36,8 por cento, acima da expectativa de 36,2 por cento do PIB em pesquisa da Reuters e do patamar também revisado de 35,8 por cento de janeiro.

(Reportagem adicional de Alonso Soto)