ONS vê atraso de no mínimo 2 anos para operação de linhas da Abengoa

quarta-feira, 30 de março de 2016 14:28 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estima um atraso no início da operação das linhas de transmissão da Abengoa no Brasil de mínimo dois anos, e vê a venda de ativos da companhia espanhola como a melhor solução para se evitar mais problemas ao setor.

As obras companhia espanhola, que está em dificuldades financeiras, foram paralisadas no país.

Segundo o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, uma solução para os ativos da empresa está sendo estudada pelo governo, mas a melhor alternativa seria a venda das linhas.

"Isso agilizaria o processo. Se tiver que devolver, relicitar e passar por todo o trâmite, poderia demorar mais", disse ele a jornalistas, durante evento no Rio de Janeiro.

A chinesa State Grid admitiu interesse nos ativos, e notícias na imprensa apontam que o fundo canadense Brookfield poderia se juntar a Furnas, da Eletrobras, para apresentar uma proposta.

O diretor-geral do ONS pretende apresentar em breve ao governo, talvez na reunião do Conselho de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), alternativas para o escoamento da energia necessária para o suprimento do país e para compensar o atraso nos empreendimentos da Abengoa.

"Imaginamos um atraso de no mínimo dois anos, mas acreditamos que vai ser de mais. Se for começar tudo de novo, o atraso vai ser mais que dois anos para fazer toda essa estrutura e teremos dificuldade de escoar essa potência. São empreendimentos em análise por Aneel e MME (Ministério de Minas e Energia)... Vamos apresentar propostas ao CMSE", declarou Chipp.

Nessa reunião do CMSE, o diretor-geral do ONS disse que ainda vai se posicionar contrário à proposta feita pela EPE de se fazer o despacho de térmicas pela chamada ordem de mérito, ou seja, começando pelas mais baratas até aquelas com preço de até 211 reais o megawatt-hora.

Segundo Chipp, a situação operacional não é tão confortável ao ponto de se buscar a opção do despacho por mérito.   Continuação...