BC vê inflação na meta só em 2018 e descarta corte nos juros básicos

quinta-feira, 31 de março de 2016 10:47 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central piorou suas projeções de inflação para este ano e o próximo, indicando enxergar a alta de preços no centro da meta apenas no início de 2018, fora do objetivo que vem pregando de que esse movimento deve ocorrer em 2017.

Diante do cenário, reiterou em seu Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta quinta-feira, que não trabalha com a possibilidade de cortar a taxa básica de juros apesar da forte retração econômica, e que fará o necessário para chegar ao seu intuito.

"(O BC) adotará as medidas necessárias de forma a assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas, ou seja, circunscrever a inflação aos limites estabelecidos pelo CMN, em 2016, e fazer convergir a inflação para a meta de 4,5 por cento, em 2017", informou.

E acrescentou: "reitera que essas condições não permitem trabalhar com a hipótese de flexibilização monetária", referindo-se às recentes expectativas e taxas de inflação e à situação fiscal do país, entre outros.

As taxas dos contratos de juros futuros reagiram à mensagem, com DIs em alta e a curva já precificando menos apostas na queda da Selic este ano, que segue em 14,25 por cento ao ano desde julho passado. O afrouxamento estava no radar de parte dos agentes, com alguns esperando que o afrouxamento da política monetária fosse ocorrer já no segundo semestre.

Segundo o relatório, o BC vê inflação subindo 6,6 por cento em 2016 e 4,9 por cento em 2017, sobre projeção anterior de elevação de 6,2 e 4,8 por cento, respectivamente, pelo cenário de referência (dólar a 3,70 reais e Selic a 14,25 por cento).

O BC mostrou ainda que vê a inflação a 4,5 por cento --centro da meta-- só no primeiro trimestre de 2018.

"Acho que o BC está correto em aguardar e ver os desdobramentos. Qualquer tom de corte de juros agora é para lá de precipitado", afirmou a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, acrescentando que não trabalha com corte na Selic "tão cedo".   Continuação...

 
Sede do Banco Central, em Brasília. 23/09/2015   REUTERS/Ueslei Marcelino