BC vê inflação na meta só em 2018 e fiscal expansionista; descarta corte nos juros

quinta-feira, 31 de março de 2016 14:15 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central piorou suas projeções de inflação para este ano e o próximo, indicando enxergar a alta de preços no centro da meta apenas no início de 2018, fora do objetivo que vem pregando de que esse movimento deve ocorrer em 2017.

Diante do cenário, reiterou em seu Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta quinta-feira, que não trabalha com a possibilidade de cortar a taxa básica de juros apesar da forte retração econômica, e que fará o necessário para cumprir seu intuito.

"(O BC) adotará as medidas necessárias de forma a assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas, ou seja, circunscrever a inflação aos limites estabelecidos pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), em 2016, e fazer convergir a inflação para a meta de 4,5 por cento, em 2017", informou.

E acrescentou: "reitera que essas condições não permitem trabalhar com a hipótese de flexibilização monetária", referindo-se às recentes expectativas e taxas de inflação e à situação fiscal do país, entre outros.

O diretor de Política Econômica do BC, Altamir Lopes, disse diversas vezes a jornalistas que há "desinflação contratada significativa" para o ano, sobretudo no setor de serviços e que não espera mais altas significativas do dólar sobre o real, mas ressaltou que o ajuste monetário ainda está em curso.

Ele também afirmou que o balanço de riscos para a inflação segue marcado por incertezas, incluindo as contas públicas. Segundo Lopes, o BC passou a enxergar o quadro fiscal como expansionista, diferente da visão anterior de neutralidade.

Os cálculos do BC consideraram superávit primário para o setor público consolidado de 0,5 por cento do PIB no ano, meta dada pela lei orçamentária, por conta da data de corte do documento, 18 de março. Ou seja, antes de o governo encaminhar proposta ao Congresso Nacional de redução da meta a 0,15 por cento do PIB, mas com abatimentos que empurrariam o resultado para o vermelho.

"Não é (superávit de) 0,5 ou 0,15 por cento do PIB que vai mudar nossa projeção de inflação levando-se em consideração o cálculo estrutural que fazemos", disse Lopes.   Continuação...

 
Sede do Banco Central, em Brasília. 23/09/2015   REUTERS/Ueslei Marcelino