Dólar fecha março com maior queda mensal em 13 anos e vai abaixo de R$3,60, com política

quinta-feira, 31 de março de 2016 18:08 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda nesta quinta-feira, abaixo de 3,60 reais e marcou o maior recuo mensal em treze anos, embalado por crescentes apostas no impeachment da presidente Dilma Rousseff e em meio à nova atuação do Banco Central no mercado, fatores que devem continuar ditando a direção do câmbio daqui para frente.

O dólar recuou 0,68 por cento, a 3,5963 reais na venda nesta sessão, após o BC novamente vender uma fatia pequena dos swaps cambiais reversos ofertados em leilão.

A moeda norte-americana acumulou queda de 10,17 por cento em março, maior tombo desde abril de 2003, quando recuou mais de 13 por cento. No primeiro trimestre, a baixa ficou em 8,91 por cento.

"Os próximos dois meses serão fatídicos para o desempenho do dólar, com as votações do impeachment. Além disso, (o movimento do câmbio) depende de como o BC vai reagir. São duas incógnitas muito importantes", disse o economista da 4Cast Pedro Tuesta.

Ele referiu-se às votações do pedido de impeachment contra Dilma que possivelmente podem acontecer nas próximas semanas na comissão do impeachment na Câmara dos Deputados, no plenário da casa e no Senado.

Muitos operadores apostam que eventual troca de governo poderia ajudar a resgatar a confiança no país, mas alguns ponderam que a instabilidade política tende a trazer mais volatilidade.

Segundo economistas consultados em pesquisa da Reuters em meados de março, o dólar pode cair a 3,50 reais se Dilma deixar a Presidência ou, caso contrário, disparar ao recorde de 4,25 reais.

Nesta sessão, o foco recaiu sobre os esforços do governo para se defender. Em sessão da comissão do impeachment, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, defendeu que o governo não violou a lei orçamentária e que, portanto, não há crime de responsabilidade que justifique o pedido de impedimento.   Continuação...

 
12/08/2015. REUTERS/Kham