Petrobras vê economia de R$33 bi com redução de pessoal e assusta sindicatos

sexta-feira, 1 de abril de 2016 15:03 BRT
 

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras lançou um novo Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV), dessa vez aberto para toda a força de trabalho, em mais uma tentativa de reduzir custos em meio a uma crise financeira, preocupando sindicalistas, que acreditam que haja uma pressão para adesão ao plano de demissão.

A estatal afirmou em comunicado ao mercado que, em uma estimativa de participação de aproximadamente 12 mil empregados, o custo previsto para a implantação do programa é de 4,4 bilhões de reais e a economia esperada é da ordem de 33 bilhões de reais até 2020.

Em outra nota, a companhia afirmou à imprensa que possui atualmente cerca de 12 mil empregados com condições de se aposentar, dos cerca de 57 mil funcionários próprios da Petrobras controladora que poderão participar do plano.

A Petrobras, que está trabalhando em uma revisão de seu plano plurianual de investimentos, não deixou claro se os 12 mil seriam uma meta.

Em entrevista à Reuters, o representante dos funcionários no Conselho de Administração da Petrobras, Deyvid Bacelar, disse que a empresa prevê o pagamento de indenizações de cerca de 212 mil a 706,6 mil reais aos funcionários que aderirem ao PIDV, citando um comunicado interno distribuído na companhia.

O tema, segundo Bacelar, não foi discutido em reuniões do Conselho de Administração e nem apresentado e conversado com entidades sindicais, o que ele acredita ser negativo. Os sindicatos temem que a redução do quadro de funcionários cause sobrecarga de trabalho, acidentes e mais horas extras.

"O grande problema é que é qualquer empregado pode aderir ao programa, um PIDV desse só ocorreu nos governos de Collor e FHC, quando muitas pessoas acabavam sendo pressionadas para pedirem demissão... Tem vários processos de pdvistas da década de 90", afirmou Bacelar, que também é coordenador-geral do Sindipetro Bahia, filiado à Federação Única Petroleiros (FUP).

Para o sindicalista, o ambiente atual de reestruturação da empresa permitirá que haja uma pressão sobre os funcionários se desligarem da companhia. Isso porque muitos empregados estão perdendo cargos com gratificações e até mesmo podem ser enviados para outras funções e localidades que considerem desvantajosas.

Na quarta-feira, a Petrobras anunciou uma redução de sete para seis no número de diretorias e mudanças no modelo de governança e gestão, com um corte de 43 por cento nas funções gerenciais em áreas não operacionais.   Continuação...

 
Prédio-sede da Petrobras no Rio de Janeiro. 21/03/2016. REUTERS/Sergio Moraes