CPFL compra energia de usinas eólicas próprias e obtém R$764,1 mi com BNDES

sexta-feira, 1 de abril de 2016 16:56 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A CPFL Energia fechou a compra de toda a capacidade de dois complexos eólicos que estão sendo construídos por sua subsidiária CPFL Renováveis, em uma operação que garantiu a assinatura de financiamento de 764,1 milhões de reais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os empreendimentos.

O contrato de venda da produção por um período de 20 anos foi fechado junto à unidade de comercialização de eletricidade da companhia, a CPFL Brasil, e teve um preço "semelhante" ao praticado nos leilões de contratação de energia promovidos pelo governo federal, afirmou à Reuters o presidente da CPFL Renováveis, André Dorf, nesta sexta-feira.

"O mérito dessa negociação foi trazer para o credor, o BNDES, uma segurança muito parecida com a que ele tem no mercado regulado... isso abre um caminho para operações parecidas com a própria CPFL Brasil ou com outras comercializadoras do mercado", disse o executivo.

Ele disse que a CPFL Brasil revenderá a energia produzida pelas eólicas a clientes do mercado livre de eletricidade, principalmente indústrias de menor porte e centros comerciais, que são chamados nesse ambiente de "consumidores especiais" e por lei podem negociar apenas a compra de energia renovável.

As usinas financiadas somam 231 megawatts em capacidade instalada e deverão iniciar operação comercial ainda a partir deste mês, sendo que estarão completamente concluídas em novembro.

Segundo a CPFL, 270,6 milhões de reais do financiamento acertado anteriormente já foram desembolsados pelo BNDES para os empreendimentos, e o restante será liberado de acordo com o andamento das obras. O financiamento será por um prazo de 16 anos.

O mercado livre de eletricidade tem crescido fortemente neste ano, conforme a redução do consumo no país devido à recessão e as boas chuvas reduziram os preços dos contratos nesse segmento.

O número de consumidores especiais caminha para crescer mais de 30 por cento neste ano, segundo dados preliminares da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o que a CPFL Renováveis espera que gere uma grande demanda pela compra de contratos de energia eólica.

"Essa migração (de clientes regulados para o mercado livre) está originando interesse das comercializadoras, que compram energia no longo prazo de fontes renováveis para atender seus clientes... esses movimentos estão ligados", disse Dorf.   Continuação...