Imobiliárias miram setor econômico, mais resistente à crise

sexta-feira, 1 de abril de 2016 18:50 BRT
 

Por Juliana Schincariol

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O segmento econômico de imóveis tem se mostrado a melhor alternativa para corretores e imobiliárias, uma vez que deve continuar em 2016 com vendas e lançamentos melhores que os imóveis voltados para os médio e alto padrões.

"Eu diria que em 2015 (o segmento econômico) representou pelo menos uns 25 por cento do volume vendido por nós e acho que este ano este volume deve subir. Este ano deve passar de 30 por cento", afirmou o vice-presidente comercial da Abyara Brokers, imobiliária paulistana do grupo Brasil Brokers, Bruno Vivanco.

Segundo ele, o número de corretores imobiliários da Abyara voltados para o setor cresceu 20 por cento de 2015 para 2016, principalmente devido ao recuo do segmento de médio e alto padrão, que segue pressionado pela alta dos juros e baixa confiança do consumidor. Hoje, cerca de 800 profissionais atendem o segmento econômico na Abyara.

Dados da imobiliária mostram que do total de imóveis lançado na cidade de São Paulo em 2015, cerca de 29 por cento foram imóveis econômicos (até 250 mil reais), ante 14 por cento um ano antes. Já a parcela de imóveis com preço médio acima de 500 mil reais caiu de 45 por cento em 2014 para 24 por cento no ano passado.

"O segmento econômico tem um conjunto de lançamentos para 2016 e 2017 bastante intenso em toda a região metropolitana de São Paulo, e até no interior", afirmou Vivanco.

Segundo ele, as incorporadoras podem lançar cerca de 10 mil unidades na região este ano, um número ligeiramente superior a 2015.

No Estado do Rio de Janeiro são 45 mil corretores imobiliários ativos e a fatia que passou a trabalhar com o segmento econômico passou para 25 a 30 por cento, de acordo com o diretor do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Rio de Janeiro (Creci-RJ), Laudimiro Cavalcanti. A proporção praticamente dobrou em relação a 2014, quando era de 15 por cento.

"O corretor vai procurar o mercado que está mais aquecido, e para esta área (econômica) ele está aquecido. O corretor não está conseguindo comercializar o luxo, a classe média", disse Cavalcanti.   Continuação...