Grécia pede explicação ao FMI sobre vazamento de documento

sábado, 2 de abril de 2016 12:41 BRT
 

ATENAS (Reuters) - A Grécia exigiu uma explicação do Fundo Monetário Internacional (FMI) no sábado, após a divulgação de uma aparente transcrição sugerir que o FMI pode ameaçar retirar-se do programa de resgate do país como uma tática para forçar os credores europeus a oferecerem mais alívio da dívida.

Credores da União Europeia e o FMI vão retomar as negociações em Atenas sobre o progresso de reformas fiscais com o objetivo de concluir uma revisão do resgate para desbloquear mais empréstimos e abrir caminho para negociações sobre reestruturação da dívida.

O site de denúncias WikiLeaks publicou o que disse ser a transcrição de uma teleconferência realizada em 19 de março de três altos funcionários do FMI discutindo táticas para aplicar pressão sobre a Grécia, a Alemanha e a UE chegarem a um acordo em abril.

Os funcionários teriam discutido uma ameaça de que o Fundo poderia não participar do terceiro programa de resgate da Grécia como uma maneira de forçar os credores da UE, especialmente a Alemanha, a chegarem a um acordo sobre o alívio da dívida antes do referendo da Grã-Bretanha, em junho, sobre a possibilidade de permanecer ou não na União Europeia.

"O Governo grego pede explicações ao FMI se prosseguir com a criação de condições de falência na Grécia, pouco antes do referendo britânico, é a posição oficial do Fundo", disse a porta-voz do governo Olga Gerovasili à TV estatal.

Um porta-voz do FMI em Washington disse que o Fundo não comenta sobre "vazamentos ou supostos relatórios de discussões internas", mas acrescentou que o FMI tem divulgado a sua posição.

"Temos afirmado claramente o que nós pensamos ser necessário para uma solução duradoura para os desafios econômicos enfrentados pela Grécia - uma que coloque a Grécia em um caminho de crescimento sustentável amparado por um conjunto crível de reformas que coincidem com o alívio da dívida de seus parceiros europeus", disse o porta-voz.

(Por Lefteris Papadimas em Atenas e David Lawder em Washington)