Países investigam nomes ligados a vazamentos de documentos financeiros no Panamá

segunda-feira, 4 de abril de 2016 08:57 BRT
 

Por Jane Wardell e Elida Moreno

SYDNEY/CIDADE DO PANAMÁ (Reuters) - Autoridades da Austrália e da Nova Zelândia começaram a investigar clientes locais de um escritório de advocacia sediado no Panamá que está no centro de um gigantesco vazamento de dados por suspeita de evasão fiscal.

Outras jurisdições devem seguir o mesmo caminho na esteira do vazamento, ocorrido durante o final de semana, de detalhes de centenas de milhares de clientes em mais de 11,5 milhões de documentos dos arquivos do escritório Mossack Fonseca, que tem sede no Panamá.

Os documentos estão no centro de uma investigação publicada no domingo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e mais de 100 outras organizações de mídia de todo o mundo.

O jornal alemão Sueddeutsche Zeitung disse ter recebido a enorme leva de documentos e os compartilhado com os outros veículos de imprensa.

Os "Papéis do Panamá" cobrem um período de quase 40 anos, de 1977 até dezembro passado, e supostamente mostram que algumas empresas sediadas em paraísos fiscais estavam sendo usadas supostamente para lavagem de dinheiro, negociações com armas e drogas e evasão fiscal.

O Brasil está entre os vários países com autoridades envolvidas nos vazamentos.

Os documentos obtidos apontam que a Mossack Fonseca criou ou gerenciou cerca de 100 empresas offshore para ao menos 57 indivíduos ou empresas já relacionados ao esquema de corrupção na Petrobras (PETR4.SA: Cotações) investigado pela operação Lava Jato, de acordo com reportagens.

"Acho que o vazamento irá se mostrar o maior golpe que o mundo offshore já sofreu, por causa da amplitude dos documentos", disse Gerard Ryle, diretor do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.   Continuação...

 
Logo da Mossack Fonseca, visto na Cidade do Panamá.     04/04/2016      REUTERS/Carlos Jasso