Petrobras nega redução do preço dos combustíveis "no momento"; ações caem quase 10%

segunda-feira, 4 de abril de 2016 20:40 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras informou nesta segunda-feira que não pretende reduzir os preços dos combustíveis no momento, mas que está permanentemente avaliando as condições do mercado, depois que notícias sugerindo um iminente corte dos preços derrubaram as ações da estatal nesta segunda-feira.

"A Petrobras informa que não há previsão, neste momento, de reajuste nos preços de comercialização de gasolina e diesel. Sobre o assunto, vale esclarecer que a companhia avalia permanentemente a competitividade de suas práticas e condições comerciais", disse a estatal em comunicado.

No domingo, o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, noticiou que a Petrobras deveria anunciar nesta segunda-feira redução dos preços da gasolina e do diesel, levando à queda das ações da estatal nesta segunda-feira na Bovespa. [nL2N1760CD]

As ações preferenciais da Petrobras recuaram 9,3 por cento, enquanto as ações ordinárias recuaram 8,8 por cento, também pressionadas pelo recuo do preço do petróleo no mercado internacional. [nL2N1771J6]

Analistas afirmaram que uma redução nos preços dos combustíveis seria muito negativa para a Petrobras, uma vez que aumentaria a pressão sobre o fluxo de caixa da estatal, que busca se recuperar de prejuízo de 36,9 bilhões de reais registrado no quarto trimestre. [nL2N16U0DU]

As notícias também derrubaram ações de empresas do setor de açúcar e etanol, produto concorrente da gasolina no Brasil. O papel da Cosan fechou em baixa de 7,82 por cento, maior declínio percentual diário desde agosto de 2011.

De acordo com um membro do Conselho de Administração da Petrobras, a informação publicada pelo colunista tratava-se de "um balão de ensaio do governo" para "testar a reação" do mercado. E devido à forte reação, houve um recuo.

Segundo o conselheiro, que pediu anonimato, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, enviou e-mail ao Conselho de Administração afirmando "que haviam estudado a redução, mas não tomaram decisão".   Continuação...

 
Trabalhador pinta tanque da Petrobras em Brasília. 30 de setembro de 2015. REUTERS/Ueslei Marcelino/Files