Petrobras buscou arbitragem para mediar conflito com Sete Brasil, dizem fontes

segunda-feira, 4 de abril de 2016 14:19 BRT
 

Por Guillermo Parra-Bernal e Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras procurou sem sucesso nomear árbitros para refazer termos de um contrato de longo prazo com a afretadora de sondas para exploração Sete Brasil, de acordo com três fontes com conhecimento da situação.

A proposta feita nas últimas semanas pediu a cada uma das partes para apontar três mediadores para refazer o contrato, disseram as fontes, que pediram anonimato já que o assunto é sigiloso. O contrato entre a Petrobras e a Sete Brasil está em discussão há dois anos.

Os principais sócios da Sete Brasil rejeitaram a proposta e reforçaram sua visão de que a empresa deve pedir proteção judicial para pressionar a Petrobras a assinar termos mais favoráveis, acrescentaram as fontes. A Petrobras é a única cliente da Sete Brasil e tem 5 por cento da empresa.

A proposta de arbitragem sugere que a Petrobras quer evitar a ameaça da Sete Brasil, disseram as fontes. Mas nenhuma arbitragem "pode acontecer neste momento" porque dois acionistas da Sete Brasil processaram a Petrobras sobre o contrato e não estão dispostos a voltar atrás, disse a primeira fonte.

Sete Brasil e Petrobras se recusaram a comentar o assunto.

O destino da Sete Brasil, que a Petrobras ajudou a criar em 2008 para gerir a maior frota de perfuração em águas profundas do mundo, com 89 bilhões de dólares em encomendas, depende da disposição da Petrobras de assinar o contrato. Segundo as fontes, a Petrobras vai apresentar uma proposta de contrato reformulado nas próximas semanas.

O colapso da Sete Brasil será devastador não apenas para investidores que apoiaram o projeto, mas para dezenas de construtores navais fornecedoras da empresa.

Mais de 800 mil empregos diretos na construção naval podem ser perdidos, provocando quase 40 bilhões de reais em perdas, segundo estimativas da indústria.   Continuação...