Dólar sobe 1,43% e vai acima de R$3,60, com cena política e BC

segunda-feira, 4 de abril de 2016 18:06 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta e foi acima de 3,60 reais nesta segunda-feira, após encerrar no menor nível em sete meses na sessão anterior, com investidores preferindo estratégias mais defensivas em meio ao noticiário político intenso no Brasil e à atuação do Banco Central.

O dólar avançou 1,43 por cento, a 3,6138 reais na venda, após recuar a 3,5627 reais na sexta-feira.

Na máxima do dia, a moeda norte-americana foi a 3,6156 reais. O dólar futuro avançava cerca de 1,8 por cento no final da tarde.

"A crise política é o principal fator afetando os mercados locais. As notícias não param de chegar de Brasília", disse o superintendente regional de câmbio da corretora SLW, João Paulo de Gracia Corrêa.

Logo após o fechamento dos mercados, o governo protocolou a defesa da presidente Dilma Rousseff na comissão da Câmara dos Deputados que analisa o pedido de impeachment. O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, pediu o arquivamento do processo, alegando falta de fundamentação jurídica e que na origem do pedido há um ato de "vingança" do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A manobra vem em um momento em que o Planalto busca angariar votos de deputados para impedir que o processo de impedimento avance. A percepção de que esses esforços podem dar resultados ganhou um pouco de força nos últimos dias após o rompimento do PMDB com o governo expor disputas internas no maior partido do Brasil.

Muitos investidores do mercado financeiro enxergam a possibilidade de impeachment de Dilma como um primeiro passo para a recuperação da confiança no país.

"O mercado está colocando a probabilidade de impeachment em mais ou menos metade. Ou seja, tem espaço para subir muito e para cair muito, dependendo da política", disse o operador de um importante banco nacional.   Continuação...

 
Funcionário contando cédulas de dólar em casa de câmbio 
15/4/15 REUTERS/Murad Sezer