Países abrem investigações sobre "Panama Papers"; China limita acesso a notícias

terça-feira, 5 de abril de 2016 09:32 BRT
 

Por Ben Blanchard e Lisa Jucca

PEQUIM/HONG KONG (Reuters) - Autoridades de todo o mundo iniciaram investigações sobre as atividades de ricos e poderosos de vários países depois que milhões de documentos que vazaram de um escritório de advocacia sediado no Panamá mostraram possíveis irregularidades no uso de estruturas de empresas offshore.

Os chamados "Panama Papers" lançaram luz sobre os arranjos financeiros de políticos e figuras públicas de renome e as companhias e instituições financeiras que utilizam para tais atividades. Entre os citados nos documentos estão amigos do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e parentes dos líderes de China, Grã-Bretanha, Islândia e Paquistão, assim como o presidente da Ucrânia.

Figuras proeminentes e instituições financeiras responderam ao gigantesco vazamento de mais de 11,5 milhões de documentos negando quaisquer irregularidades, enquanto promotores e agências reguladoras iniciaram uma análise dos relatórios da investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês), sediado nos Estados Unidos, e de outras organizações de mídia.

Na esteira das reportagens, a China limitou o acesso local à cobertura do tema, e a mídia estatal criticou as reportagens ocidentais sobre o vazamento, que disse serem tendenciosas em relação a líderes de fora do Ocidente.

França, Austrália, Nova Zelândia, Áustria, Suécia e Holanda estão entre as nações que abriram investigações, e alguns outros países, como os EUA, afirmaram estar estudando o assunto.

O Brasil também está entre os vários países com autoridades envolvidas nos vazamentos.

Os documentos obtidos apontam que o escritório do Panamá Mossack Fonseca criou ou gerenciou cerca de 100 empresas offshore para ao menos 57 indivíduos ou empresas já relacionados ao esquema de corrupção na Petrobras (PETR4.SA: Cotações) investigado pela operação Lava Jato, de acordo com reportagens.

A Mossack Fonseca abriu mais de 240 mil empresas offshore para clientes ao redor do planeta, e nega qualquer irregularidade. A firma se diz vítima de uma campanha contra a privacidade e argumenta que as reportagens da mídia distorcem a natureza de seu negócio.   Continuação...

 
Logo da empresa Mossack Fonseca dentro de escritório da empresa em Hong Kong.  REUTERS/Bobby Yip