Mercado livre de energia em alta no país renova aposta em lançamento de derivativos

quarta-feira, 6 de abril de 2016 18:59 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Duas empresas pretendem lançar contratos derivativos de energia elétrica com liquidação financeira no Brasil ainda neste ano, em um momento em que o mercado livre de eletricidade cresce rapidamente, o que permitiria que investidores de fora do setor elétrico também participassem de negociações.

A aposta é que a novidade no Brasil atraia novos players para as negociações, como bancos e fundos de investimento, já que os acordos seriam puramente financeiros, sem a entrega física da eletricidade.

Atualmente, o mercado envolve apenas geradores, comercializadoras e consumidores, em contratos no mercado físico liquidados na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Com os contratos futuros de energia elétrica, um mercado já consolidado principalmente na Europa, agentes ou investidores poderão negociar contratos para se proteger de variações do preço ou para fazer apostas na alta ou baixa das cotações, como em bolsas de commodities.

O novo mercado, que ganharia liquidez com a participação de bancos e fundos, ajudaria a reduzir riscos em um ambiente de negócios fortemente influenciado pelas projeções de chuvas nas hidrelétricas.

Tentativas anteriores de implantar tal mercado de derivativos no Brasil não se concretizaram devido a problemas regulatórios, mas os empreendedores esperam que isso possa ser superado agora, com o mercado livre de energia em expansão acelerada devido a uma queda dos preços puxada por boas chuvas e pela redução do consumo em meio à recessão.

"Estamos trabalhando para trazer novos produtos. A ideia é ter, além da energia física, derivativos financeiros... a partir de maio já podemos ter isso em negociação na plataforma", disse à Reuters o presidente da BBCE, Victor Kodja, que lidera uma das iniciativas.

A BBCE terá nessa corrida pela criação dos derivativos a concorrência da Brix, que também já atua como plataforma eletrônica de negociação de contratos de energia.   Continuação...