Vazamento contínuo de barragem da Samarco pode atrapalhar retomada da mineradora

quarta-feira, 6 de abril de 2016 19:03 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As dificuldades da mineradora Samarco em encontrar uma solução para estancar o vazamento de rejeitos de minério da barragem de Fundão, em Mariana (MG), cinco meses após o colapso da estrutura, ameaçam os planos da empresa de voltar a operar ainda neste ano.

A autoridade ambiental de Minas Gerais avalia que a Samarco deverá encontrar uma solução para o problema nos próximos meses, mas ressaltou que a licença para a retomada das operações da empresa só será efetivamente liberada após o vazamento ser estancado.

As controladoras da Samarco, a Vale e a BHP Billiton, esperam que a mineradora volte a operar para gerar receita e arcar com os custos de indenizações bilionárias acertadas com o governo federal, como reparações pelo vazamento, considerado o maior desastre ambiental do Brasil.

Com o rompimento da barragem, em 5 de novembro, cerca de 30 milhões de metros cúbicos (m³) foram despejados de Fundão, destruindo comunidades e poluindo rios e o litoral do Espírito Santo. Dezoito pessoas morreram e uma pessoa ainda está desaparecida.

Segundo dados do Ibama, após boa parte dos rejeitos de mineração escoar da barragem logo após o rompimento da barragem, a lama continuou vazando, em proporções menores mas contínuas nos últimos meses, em maiores volumes dependendo das chuvas que atingiram a região.

O órgão ambiental estima que cerca de metade dos 24 milhões de m³ que restaram no reservatório após o incidente acabou vazando nos últimos meses, sendo que aproximadamente 8 milhões encontraram caminhos no meio ambiente.

Para conter o vazamento, a Samarco criou um plano provisório com a construção de diques que retêm os resíduos da barragem de rejeitos de minério de ferro, mas que não estão sendo suficientes, segundo a coordenadora-geral de emergências do Ibama, Fernanda Pirillo.

Três de quatro diques previstos já foram construídos, sendo que os dois primeiros, de 16 mil m³ e 45 mil m³ de capacidade, já encheram e estão inoperantes. Um terceiro dique, com capacidade para reter até 2 milhões de m³, está em operação.   Continuação...

 
Destroços de uma escola no distrito de Bento Rodrigues após rompimento de barragem de rejeitos da Samarco, em Mariana
10/11/2015  REUTERS/Ricardo Moraes