Leilão de transmissão de energia deve ter lotes vazios, apesar de novas regras

sexta-feira, 8 de abril de 2016 15:26 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O leilão que ofertará na próxima semana a concessão para construção e operação de linhas de transmissão, que demandariam cerca de 12 bilhões de reais em investimentos, está com condições mais atrativas, mas ainda assim não deverá encontrar interessados para todos os 24 lotes de projetos que serão apresentados.

Diante da urgência de garantir linhas para alguns importantes projetos de geração de energia, o governo federal melhorou diversas condições para o certame, como a taxa de retorno, os prazos e o licenciamento ambiental.

Mas os constantes atrasos de projetos de transmissão no país e as incertezas com a crise econômica e política devem impedir que haja grande disputa, segundo analistas ouvidos pela Reuters.

Os últimos leilões, em 2015, viram mais da metade dos lotes ofertados passarem batido, sem ofertas, o que cria grande expectativa quanto ao resultado da próxima licitação, que acontece em 13 de abril na BM&FBovespa, em São Paulo. [nL1N13D19N]

"Esse leilão vai ser melhor que os anteriores, acho que o governo fez a lição de casa. O mercado está mais otimista, mas depende (também) do cenário macroeconômico, e o ambiente infelizmente está um pouco árido para investimentos", afirmou a diretora da KPMG especializada em energia, Franceli Jodas.

A receita anual a ser recebida pelos vendedores da licitação subiu em média 11 por cento, em atendimento a pleito do Tribunal de Contas da União (TCU). [nL2N16225T]

O diretor da consultoria italiana Cesi no Brasil, Paulo Esmeraldo, acredita que apesar disso o cenário de crise deverá frear a participação das empresas.

"Isso, é lógico, melhora alguma coisa, atrai um pouco mais. Não vai ser tão ruim como o último (leilão), mas não acredito que todos lotes serão arrematados".   Continuação...