CENÁRIOS-Fundos de ações devem seguir atrás do Ibovespa com caixa alto e exposição baixa a ações do rali

sexta-feira, 8 de abril de 2016 17:24 BRT
 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - Fundos de ações no Brasil devem continuar apresentando desempenho mais fraco em relação ao Ibovespa no curto prazo em razão de elevadas posições de caixa e exposição reduzida aos papéis que mais se valorizaram neste ano, dado o ambiente de incertezas nos cenários político e econômico do país.

De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), fundos de ações indexados e de índice ativo tiveram em março rentabilidade de 15,57 e de 11,45 por cento, respectivamente, enquanto o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, valorizou-se 17 por cento.

Entre os fundos que não seguem o Ibovespa, a categoria de small caps apurou rentabilidade de apenas 5,43 por cento no mês passado e a de fundos de ações livres, de 7,28 por cento. O pior resultado veio dos fundos de ações no exterior, com alta de 1,54 por cento.

O cenário político nebuloso, a falta de perspectivas positivas para a economia, os resultados corporativos ainda fracos e o comportamento binário do mercado acionário estão entre os fatores que têm inibido gestores locais a elevarem exposição na Bovespa.

Para o gestor Eduardo Roche, da Canepa Asset Management, o ambiente para os fundos de ações está muito difícil dadas as incertezas atreladas principalmente ao quadro político.

"Qualquer aposta hoje no mercado está muito assimétrica. O desfecho do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff pode levar a bolsa muito pra cima ou muito pra baixo, não tem meio termo, pelo menos em um primeiro momento."

De acordo com Instrução da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula a indústria de fundos, são considerados fundos de ações aqueles que possuem, no mínimo, 67 por cento da carteira em ações.

Alguns gestores consultados pela Reuters revelaram que estão trabalhando com posições de caixa entre 20 e 30 por cento, ou seja, perto do limite máximo. Transpondo esses percentuais para os fundos de ações analisados pela Anbima com patrimônio líquido acima de 500 milhões de reais, haveria entre 16,3 bilhões e 24,5 bilhões de reais no fim de março no caixa dos fundos.   Continuação...