Usinas solares pedem à Aneel para adiar entrega de energia em 2 anos

sexta-feira, 8 de abril de 2016 17:39 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Um grupo de seis investidores brasileiros e estrangeiros se juntou para pedir o adiamento da data de entrada em operação de seus empreendimentos de energia solar que venderam antecipadamente a produção em um leilão realizado em 2014, apontam documentos aos quais a Reuters teve acesso.

As companhias, que incluem nomes como Canadian Solar, Grupo Cobra, Fotowatio e Renova Energia, representam 690 megawatts em capacidade instalada, ou 77,5 por cento do total viabilizado no certame, que foi o primeiro dedicado a contratar usinas fotovoltaicas em escala comercial no Brasil.

O pleito, apresentado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), é de um adiamento por dois anos na data de entrada em operação e consequente elevação em dois anos no prazo de concessão dos empreendimentos.

O pedido confirma reportagem da Reuters do final de março, quando especialistas adiantaram que havia intenção de investidores em postergar os empreendimentos ou mexer nos contratos.

As empresas alegam que houve uma explosão no custo do dólar ante o real, ao mesmo tempo em que não se desenvolveu uma cadeia produtiva local de placas solares, o que dificulta a aquisição de equipamentos para os projetos a custos viáveis.

O leilão solar, em outubro de 2014, teve forte competição e fechou contratos com 31 usinas com quase 900 megawatts em capacidade instalada. Os projetos, com investimentos estimados em 7 bilhões de reais, têm entrega de energia agendada para 2017.

"A manutenção dos programas de investimento em consonância com os cronogramas de implantação e início do suprimento... torna-os praticamente inviáveis, diante dos altíssimos custos a que teriam de se sujeitar", afirmaram as empresas em uma primeira carta, de fevereiro. Em março, a Renova juntou-se ao grupo, com o envio de uma segunda correspondência ao regulador.

O grupo de investidores alega que houve "drástica mudança do cenário macroeconômico global e do cenário político brasileiro ao longo do ano de 2015, com reflexos diretos à viabilidade de impantação e sustentabilidade dos projetos".   Continuação...