Seca em abril ameaça 2ª safra de milho do Brasil e deixa agronegócio em alerta

segunda-feira, 11 de abril de 2016 15:16 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Uma segunda safra de milho recorde esperada pelo Brasil, essencial para garantir excedentes de exportação e aliviar altos preços para a cadeia produtiva de carnes, está em xeque, uma vez que a seca em abril deve se prolongar até a última semana do mês e previsões climáticas também não são muito favoráveis para maio.

Chuvas mais volumosas em abril seriam fundamentais para o milho plantado mais tarde no país, uma parcela que engloba cerca de metade da área brasileira, após o atraso na safra de soja em várias regiões. Mas o problema é que as precipitações não ocorrerão nos volumes necessários, o que leva especialistas a considerarem já um menor potencial produtivo.

"O produtor está preocupado, houve problemas na soja e ele não pode errar no milho. O clima é de apreensão", afirmou o superintendente do Imea, Daniel Latorraca, que está à frente do órgão de análise da federação de agricultores de Mato Grosso, principal Estado produtor do grão.

A segunda safra de milho, conhecida no passado como "safrinha", está estimada em 57,1 milhões de toneladas, ou cerca de dois terços do que o país espera produzir do cereal em 2015/16, segundo números oficiais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Somar, estima que seriam necessários ao menos 70 milímetros de chuvas intercaladas neste mês, o que não deve ocorrer. "Esse milho plantado mais tarde precisa de muita chuva em abril, coisa que não vai ter", disse.

Segundo ele, as estimativas mais atualizadas da Conab não levam em conta a projeção de tempo mais seco em abril, decorrente de um bloqueio atmosférico que está mantendo as frentes frias no extremo sul do Brasil.

O agrometeorologista da Somar lembrou ainda que os produtores de milho, que relegaram o plantio da cultura na primeira safra para investir na soja, ficaram mal acostumados nos últimos anos, quando o outono foi relativamente chuvoso em relação ao normal, permitindo boas produtividades da "safrinha".

De acordo com o diretor da Agroconsult, André Pessôa, algumas áreas já estão sendo afetadas, diminuindo o potencial de produção, "que começa a ser revisto um pouquinho para baixo".   Continuação...