Dólar cai quase 3% e vai abaixo de R$3,50 por aposta em impeachment, mesmo com ação do BC

segunda-feira, 11 de abril de 2016 17:20 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar caiu cerca de 3 por cento nesta segunda-feira e fechou no menor patamar em quase oito meses, abaixo de 3,50 reais, refletindo a euforia do mercado com perspectiva de impeachment da presidente Dilma Rousseff, mesmo após quatro atuações do Banco Central para sustentar as cotações.

O dólar recuou 2,83 por cento, a 3,4946 reais na venda, menor cotação de fechamento desde 20 de agosto passado (3,4596 reais). Em apenas duas sessões, a queda acumulada da moeda norte-americana foi de 5,39 por cento.

O dólar futuro caía cerca de 2,80 por cento no final da tarde.

"Parece que o mercado está dando o impeachment quase como uma certeza", disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho. "Pode ser exagero", acrescentou.

O próprio governo prevê que será derrotado na votação na comissão do impeachment na Câmara dos Deputados, que ocorrerá nesta noite, e tem concentrado seus esforços em angariar votos no plenário da casa. Nesta sessão, cresceu no mercado a avaliação de que o afastamento da presidente sairá do papel.

O líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani (RJ), liberou a bancada do partido para votar "de acordo com sua consciência" na comissão especial do impeachment na Casa e anunciou que os deputados peemedebistas se reunirão nesta semana para definir uma posição na votação do tema em plenário.

Além disso, o vice-presidente da República Michel Temer enviou a um grupo de parlamentares do PMDB, por engano segundo sua assessoria, um áudio no qual ele fala como se o impeachment contra a presidente já tivesse sido aprovado. No áudio, ele fala da necessidade de união e de reformas.

Levantamentos publicados pela mídia mostrando que estaria crescendo a adesão dos deputados à campanha pelo afastamento de Dilma têm sido bem recebidos no mercado, que entende que a manobra poderia ajudar a trazer de volta a confiança no Brasil.   Continuação...