Mudança avaliada pelo governo deve elevar preço spot da energia e beneficiar distribuidoras

terça-feira, 12 de abril de 2016 16:13 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O governo estuda uma mudança nos parâmetros de cálculo dos preços spot da energia elétrica que elevaria as cotações, beneficiando principalmente as distribuidoras de eletricidade, que hoje têm sobras contratuais devido à redução da demanda com a recessão e vendem esse excedente no mercado à vista, afirmaram especialistas próximos ao assunto.

Segundo o diretor de uma associação do setor e operadores, o Ministério de Minas e Energia tem sinalizado aos investidores em energia que essa eventual mudança, se levada adiante, só teria efeitos a partir de 2017, para que o mercado possa estudar e se adaptar às novas regras.

Em março, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que reúne autoridades federais e instituições técnicas da área de energia, encomendou um estudo sobre os parâmetros de cálculo do preço spot, ou Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), mas não especificou data de conclusão para o trabalho.

O presidente da Abrace, entidade que representa indústrias eletrointensivas, Paulo Pedrosa, disse que a secretaria-executiva do ministério tem conduzido conversas com agentes sobre o assunto e apontado que o objetivo seria implementar o novo cálculo a partir do próximo ano.

"Temos expectativa de que esse modelo de preços seja aperfeiçoado, e realmente a sinalização é de que está sendo feito um estudo sobre isso, mas até por questão de previsibilidade ele não seria implantado de imediato, seria dentro de um cronograma", afirmou Pedrosa.

O diretor de Risco e Inteligência da comercializadora Ecom Energia, Carlos Caminada, disse que o assunto tem sido intensamente discutido pelo governo junto às associações que representam empresas dos diversos segmentos do setor.

"Soubemos por algumas associações que a tendência é que isso ocorra só em 2017, porque se daria um tempo para estudar a situação e também para os agentes adequarem suas estratégias para o período à frente", afirmou.

Procurado, o ministério disse apenas que "o assunto ainda está em avaliação", em nota enviada pela assessoria.   Continuação...