Proposta de isenção de imposto abre caminho para Nordeste importar milho dos EUA

terça-feira, 12 de abril de 2016 19:44 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Uma eventual retirada pelo governo brasileiro da tarifa de 10 por cento cobrada nas importações de milho de fora do Mercosul poderá abrir espaço para compras inusuais do cereal produzido nos Estados Unidos, principalmente para o Nordeste brasileiro, disseram analistas e agentes do mercado.

O Ministério da Agricultura disse nesta terça-feira que irá propor à Câmara de Comércio Exterior (Camex) a isenção do imposto de importação do milho para compras de fora do Mercosul visando aliviar a oferta no Brasil, em meio a preços elevados do cereal.

Associação Cearense de Avicultura, que representa produtores de aves em um dos Estados que sofre com a escassez do grão, entende que o fim do imposto poderia impulsionar as compras de milho norte-americano.

"Tendo oferta melhor do produto, a gente pode negociar. Com certeza a gente enxerga a proposta com bons olhos. Os EUA estão vindo com uma supersafra de milho", disse à Reuters o vice-presidente da entidade, Marden Alencar Vasconcelos.

As importações de milho dos Estados Unidos, um dos grandes concorrentes do Brasil no mercado internacional do cereal, são residuais.

Fontes consultadas disseram que ainda é muito cedo para estimar o eventual preço de venda do milho norte-americano no Brasil e os volumes adquiridos, mas ressaltaram que a viabilidade deste tipo de negócio poderá ser real.

"Esse milho dos EUA no Nordeste deve ser parecido (em preço) com o milho argentino que já está entrando", disse um operador sênior de milho de uma grande trading, avaliando as opções de mercado caso a tarifa seja zerada.

O Brasil, grande exportador do cereal, está realizando fortes importações de milho argentino, isento da tarifa de 10 por cento. As compras do país vizinho deverão atingir pelo menos 700 mil toneladas em 2016, segundo a Agroconsult.   Continuação...