Venda de ativos da Abengoa no Brasil deve sair ainda em abril, projeta Aneel

quarta-feira, 13 de abril de 2016 11:16 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) espera conseguir fechar ainda neste mês uma "solução de mercado" para obras paradas da espanhola Abengoa no Brasil, após a companhia ter parado todos seus projetos no final do ano passado em meio a dificuldades financeiras, afirmou à Reuters nesta quarta-feira o diretor da agência José Jurhosa.

A Aneel teve reuniões recentes com a Abengoa, que disse que a chinesa State Grid tem demonstrado grande interesse em seus ativos, tendo inclusive realizado visitas para avaliar todos os empreendimentos, tanto os que já estão em operação quanto aqueles parados na fase de implementação, informou o diretor.

A Reuters havia adiantado na semana passada que a estatal chinesa realizou visitas a projetos de transmissão de energia da Abengoa no Brasil para avaliar uma eventual aquisição dos ativos.

A State Grid tem investido fortemente no Brasil, onde chegou em 2010 por meio da aquisição de sete companhias de transmissão no valor de 989 milhões de dólares.

Desde então, os chineses já investiram mais 200 milhões de reais em uma sede no Rio de Janeiro e arremataram diversos projetos em leilões do governo, como os dois linhões de ultra-alta tensão que levarão a energia de Belo Monte do Norte ao Sudeste do país, atualmente em construção.

"Há outros interessados, mas segundo eles (Abengoa), a State Grid é a que está mais forte, com mais gasto... Para fazer uma avaliação (dos ativos) tem um gasto envolvido... e a State Grid tem gastado bastante. Segundo eles, está avaliando (a Abengoa no Brasil) como um todo", disse Jurhosa.

Especialistas têm dificuldade em estimar os montantes que poderiam ser envolvidos no negócio, uma vez que a Abengoa possui linhas já em operação, que geram receita, mas também cerca de 6 mil quilômetros em linhas em construção, em diferentes estágios, e muitas delas ainda demandando investimentos bilionários.

(Por Luciano Costa)