Empresas de fora do setor elétrico protagonizam disputas em leilão esvaziado

quarta-feira, 13 de abril de 2016 15:15 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O leilão de linhas de transmissão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) terminou nesta quarta-feira com a concessão de menos de 60 por cento dos projetos oferecidos, com boa parte dos lotes sendo arrematados sem deságio e as principais disputas protagonizadas por empresas de fora do setor elétrico.

Fundos de investimento e grupos de engenharia e infraestrutura, como o Pátria Investimentos e a WPR Participações, do Grupo WTorre, destacaram-se em boa parte das disputas, em um leilão também marcado por vários lotes vazios (sem proposta).

Alguns dos vencedores representam uma ampla gama de empresas que tradicionalmente não entravam nesses leilões como investidoras, como grupos de engenharia e fundos de investimento, atraídos para a disputa após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ter elevado as taxas de retorno dos projetos de transmissão, atendendo a pleito do Tribunal de Contas da União (TCU), que queria evitar um leilão ainda mais esvaziado.

Dos 24 lotes de empreendimentos ofertados, que demandariam cerca de 12,2 bilhões de reais em investimentos, apenas 14 foram arrematados, ou 58 por cento do total.

Entre os vencedores do leilão também figuraram empresas de energia, como a State Grid e a Alupar, com dois lotes arrematados cada, enquanto a Taesa, controlada pela Cemig e pelo fundo Coliseu, levou um projeto.

O resultado com diversos empreendimentos sem propostas já era esperado devido à recessão e à crise política, aliadas a um receio maior dos investidores quanto ao setor de transmissão, que no ano passado já havia registrado dois leilões em que mais da metade dos lotes não teve oferta.

Nesse cenário já sem grandes expectativas, a forte disputa entre empresas por alguns lotes surpreendeu, enquanto outros sete empreendimentos foram arrematados sem deságio --quando há disputa, o consumidor tende a ser beneficiado com tarifas mais baixas no futuro.

Entre as empresas de fora do setor, destacaram-se a WPR Participações, que é voltada a infraestrutura e faz parte do Grupo WTorre, com dois lotes.   Continuação...