Leilão de transmissão viabiliza R$6,7 bi em linhas e tem 42% de lotes vazios

quarta-feira, 13 de abril de 2016 16:06 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O leilão de linhas de transmissão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta quarta-feira viabilizou cerca de 6,7 bilhões de reais em empreendimentos, com a concessão de 58 por cento dos projetos oferecidos e boa parte dos lotes arrematados sem deságio, enquanto as principais disputas foram protagonizadas por empresas de fora do setor elétrico.

O certame acabou salvo de um fracasso maior por essas empresas que tradicionalmente não disputam os leilões --fundos de investimento e grupos de engenharia e infraestrutura, como o Pátria Investimentos e a WPR Participações, do Grupo WTorre, que destacaram-se em diversas disputas, em um certame também marcado por vários lotes vazios, sem proposta de investidores.

Os novos players acabaram atraídos para a disputa após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ter elevado as taxas de retorno dos projetos de transmissão, atendendo a pleito do Tribunal de Contas da União (TCU), que queria evitar um leilão ainda mais esvaziado, e foram favorecidos também pela definição de lotes com menos projetos em relação aos certames anteriores.

"Para nós é excelente isso, novos entrantes. Talvez a forma como conseguimos estruturar os lotes, menores, fez com que empresas não tradicionais do setor pudessem vir a participar... isso é bom, diversificação é importante", afirmou o diretor da Aneel José Jurhosa, em entrevista ao final da licitação.

Dos 24 lotes de empreendimentos ofertados, que demandariam cerca de 12,2 bilhões de reais em investimentos, apenas 14 foram arrematados, ou 58 por cento do total.

As linhas não arrematadas serão incluídas pela Aneel em um próximo leilão previsto para 1° de julho, de forma a evitar que grandes atrasos tragam problemas futuros para o escoamento da energia no sistema, disse Jurhosa.

Entre os vencedores do leilão também figuraram empresas de energia, como a State Grid e a Alupar, com dois lotes arrematados cada, enquanto a Taesa, controlada pela Cemig e pelo fundo Coliseu, levou um projeto.

O resultado com diversos empreendimentos sem propostas já era esperado devido à recessão e à crise política, aliadas a um receio maior dos investidores quanto ao setor de transmissão, que no ano passado já havia registrado dois leilões em que mais da metade dos lotes não teve oferta.   Continuação...