Mercado vê rombo primário de R$100 bi para governo central em 2016 e em 2017, mostra Prisma

quinta-feira, 14 de abril de 2016 11:17 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - As estimativas de especialistas para o rombo primário do governo central (governo federal, Previdência Social e Banco Central) pioraram tanto para 2016 quanto para 2017, acima de 100 bilhões de reais, ao mesmo tempo em que também veem dívida bruta maior, em meio à intensa crise política e à continuidade da recessão econômica.

O Relatório Prisma Fiscal divulgado pelo Ministério da Fazenda nesta quinta-feira apontou que a projeção para o déficit primário, pela mediana, de 2016 foi a 100,45 bilhões de reais com dados coletados em março, contra 79,473 bilhões de reais antes.

Para 2017, especialistas veem saldo negativo pouco pior, de 103,515 bilhões de reais, bem acima da projeção anterior de 71,329 bilhões de reais.

A meta oficial do governo para 2016 é de superávit primário de 24 bilhões de reais para o governo central e de 6,6 bilhões de reais para Estados e municípios.

Entretanto, reconhecendo os percalços para atingir o objetivo diante da atividade em forte retração, o governo enviou ao Congresso no mês passado projeto de lei que abre espaço para o setor público consolidado registrar déficit de quase 100 bilhões de reais em 2016, o que encerraria o ano no vermelho pela terceira vez consecutiva.

Até sexta-feira o governo vai fixar a meta de primário para 2017, via Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que enviará ao Congresso Nacional. A equipe econômica trabalha para estabelecer novas possibilidades de abatimento no alvo fiscal, principalmente por frustração de receitas.

No relatório Prisma, economistas diminuíram suas previsões para a arrecadação federal neste ano e no próximo. Para 2016, a estimativa agora é de 1,278 trilhão de reais, contra 1,286 trilhão de reais antes. Já para 2017, passou a 1,377 trilhão de reais, ante 1,388 trilhão de reais na última pesquisa.

Diante da trajetória de franca deterioração das contas públicas, o mercado vê a dívida bruta do governo geral subindo a 74,35 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), contra 74,15 por cento, em 2016 e 80,00 por cento em 2017, acima dos 78,75 por cento calculados antes.

(Por Marcela Ayres)