CEO da CPFL diz que saída do cargo é planejada; não vê ruptura na sucessão

quinta-feira, 14 de abril de 2016 11:39 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A CPFL Energia passa por uma sucessão no comando que pretende colocar a companhia em um novo ciclo de crescimento, embora sem rupturas com pontos chave da gestão atual, como o foco na disciplina e no conservadorismo no uso de capital, afirmaram à Reuters nesta quinta-feira o atual CEO da companhia e o presidente-executivo que assumirá a partir de 1° de julho.

Wilson Ferreira Jr, que liderou a holding nos últimos 18 anos, disse que a saída é uma decisão pessoal tomada no final de 2015, após a companhia superar o que ele chegou a chamar em um evento de "momento mais desafiador de sua história".

O atual presidente da CPFL Renováveis, braço da elétrica voltado a investimentos em usinas de energia limpa, Andre Dorf, assumirá a CPFL Energia, conforme anúncio da companhia ao mercado na quarta-feira.

"É um momento desafiador, a gente tem acompanhado o ambiente externo, e político e econômico do Brasil, e isso traz enormes desafios... Mas ao mesmo tempo a companhia está muito bem posicionada", disse Dorf, durante entrevista conjunta dos executivos à Reuters.

Segundo ele, a CPFL manterá o foco na disciplina e conservadorismo no uso de capital, características da empresa, e buscará aumentar sua eficiência e ao mesmo tempo crescer, tanto por meio de fusões e aquisições quanto por meio da viabilização de novos projetos em leilões de energia do governo federal.

"A principal mensagem é que não há ruptura... foi tudo muito planejado e está sendo conduzido de forma serena e natural", afirmou Dorf.

A CPFL renovou no final de 2015 parte de suas concessões de distribuição de energia, que venceram em julho passado. A companhia também participou ativamente de discussões com o governo que resultaram em uma compensação parcial para perdas bilionárias das hidrelétricas do país com a seca no ano passado.

O presidente da CPFL, Ferreira Jr, afirmou que há também uma recuperação financeira da companhia neste ano, com perspectivas de redução da alavancagem.

"Dado o conjunto de objetivos que tinha aqui com os acionistas, relacionados à melhoria das condições do setor, no ano passado, tivemos uma agenda bastante grande... agora, com a missão cumprida... é a hora certa de colocar uma pessoa nova, com o nível de energia necessário para esse desafio", disse.   Continuação...