Crise política do Brasil atinge negociações de grãos, com mercado atento ao câmbio

quinta-feira, 14 de abril de 2016 14:19 BRT
 

Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - As vendas a termo de commodities no Brasil, como grãos e açúcar, estão praticamente paralisadas, conforme produtores, tradings e consultorias avaliam o impacto de um possível impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Após um ano de boom nas exportações de açúcar e milho, produtores e comercializadores de commodities estão se preparando para uma contínua valorização do real se a presidente perder o cargo, reduzindo a vantagem de preço das commodities brasileiras e possivelmente contendo as vendas externas.

A moeda brasileira se recuperou nas últimas semanas, apesar de uma crise econômica profunda, em meio a esperanças dos investidores de que Dilma seja substituída por um governo mais pró-mercado.

"Vendedores e compradores estão basicamente apenas esperando para ver o que vai acontecer", disse Fabio Meneghin, analista sênior da consultoria Agroconsult. "Exceto por negócios para entrega imediata, não há muita coisa acontecendo".

Meneghin disse que em boa parte dos contratos a termo de grãos brasileiros os preços são fechados na entrega, ajustados por flutuações na bolsa de Chicago (CBOT) e pelo valor do real.

"Obviamente, ninguém quer tomar esse tipo de risco agora".

A corretora e consultoria INTL FCStone disse em um relatório na quarta-feira que uma mudança de governo no Brasil, com a posse do vice-presidente Michel Temer, que tem feito acenos favoráveis ao mercado, levaria a moeda local a um patamar de 3,10 reais por dólar, ante 3,54 reais atualmente.

A empresa disse que se o impeachment for rejeitado e a presidente Dilma ficar, a moeda brasileira poderia cair para 4,10 reais por dólar, elevando a vantagem de preço das exportações brasileiras.   Continuação...