Volatilidade e cautela com impeachment fazem XP ajustar garantias de pessoas físicas

quinta-feira, 14 de abril de 2016 15:58 BRT
 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - Preocupações com a reação do mercado ao resultado da votação sobre abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados no domingo levaram a XP Investimentos a elevar as garantias exigidas de seus clientes a partir desta quinta-feira.

"Devido à forte volatilidade do mercado nos últimos dias, alteramos as garantias", afirmou a maior corretora independente de varejo do país em comunicado distribuído nesta quinta-feira a clientes e ao qual a Reuters teve acesso.

Em outro comunicado, a XP diz que após a abertura de segunda-feira, dia 18, "o comitê de risco definirá se ocorrerá a normalização das exigências de garantias".

Desdobramentos no cenário político, principalmente, ampliaram as oscilações dos preços dos ativos financeiros brasileiros nos primeiros meses do ano, o que explica medidas a fim de reduzir o risco.

De acordo com o diretor Institucional da XP, Carlos Ferreira, a corretora está readequando suas margens às da BM&FBovespa para não correr o risco de ver clientes sofrendo prejuízos expressivos.

"Diante de um cenário binário como a votação do impeachment, trata-se de uma prática natural", afirmou o executivo, lembrando que alguns dos percentuais praticados pela XP estavam abaixo dos exigidos pela BM&FBovespa.

A decisão da corretora leva em conta um cenário de estresse no mercado, em que considera oscilações para cima e para baixo de 14 por cento no dólar e de 18 por cento no Ibovespa.

De acordo com o comunicado aos clientes, a XP elevou os percentuais de garantias para "swing trade", operações em que o investidor fica posicionado poucos dias, para 17 por cento no caso de contratos e mini contratos futuros do Ibovespa e para 12 por cento nos contratos e mini contratos de dólar futuro. Anteriormente, esses percentuais eram 8 e 6 por cento, respectivamente.   Continuação...