Usinas de cana vão "arrumar a casa" com safra recorde e bons preços, diz Job

quinta-feira, 14 de abril de 2016 19:59 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Um cenário de preços mais altos para o açúcar e uma safra 2016/17 de produção recorde no Brasil permitirão que a maior parte das usinas de cana do centro-sul se recupere de um período de crise financeira que levou dezenas de empresas para a recuperação judicial nos últimos anos, avaliou nesta quinta-feira o consultor Julio Borges, da Job Economia.

"É uma boa oportunidade, esperada há três anos, para a usina colocar a casa em ordem. Basicamente, sanear as finanças e buscar aumento da eficiência operacional", afirmou Borges, ao divulgar as suas primeiras estimativas para a nova temporada, iniciada oficialmente em 1º de abril.

Segundo ele, o centro-sul do Brasil terá uma moagem recorde de cana de 644 milhões de toneladas, um crescimento de 6,4 por cento ante o resultado histórico obtido no ciclo anterior, que vai se refletir nos maiores volumes de produção açúcar e etanol já vistos em uma safra.

Com o clima favorecendo o desenvolvimento dos canaviais até o momento, a projeção é de uma produção de açúcar de 34,8 milhões de toneladas, ante 30,8 milhões em 15/16. Já a estimativa para o etanol é de uma produção de 29,1 bilhões de litros, ante 27,65 bilhões na temporada passada.

"Safra grande e com bons preços. Lembra a safra 2010/11. A chuva foi a responsável pelo aumento da cana no campo."

Segundo ele, a projeção de boas cotações do açúcar para as usinas se baseia em fundamentos de um mercado deficitário no mundo, com redução nos estoques.

"O Brasil (com a safra recorde) vai reduzir o déficit global, não vai fazer superávit", afirmou ele.

Em entrevista à Reuters, Borges estimou que o preço do açúcar deverá ter uma média de 56 centavos de real por libra-peso na safra 16/17, ante 47,50 centavos de média na temporada passada.   Continuação...

 
Colheita de cana em plantação da usina Da Mata, em Valparaíso, São Paulo
18/09/2014 REUTERS/Paulo Whitaker