14 de Abril de 2016 / às 21:09 / em um ano

Usinas de cana vão "arrumar a casa" com safra recorde e bons preços, diz Job

Colheita de cana em plantação da usina Da Mata, em Valparaíso, São Paulo 18/09/2014Paulo Whitaker

SÃO PAULO (Reuters) - Um cenário de preços mais altos para o açúcar e uma safra 2016/17 de produção recorde no Brasil permitirão que a maior parte das usinas de cana do centro-sul se recupere de um período de crise financeira que levou dezenas de empresas para a recuperação judicial nos últimos anos, avaliou nesta quinta-feira o consultor Julio Borges, da Job Economia.

"É uma boa oportunidade, esperada há três anos, para a usina colocar a casa em ordem. Basicamente, sanear as finanças e buscar aumento da eficiência operacional", afirmou Borges, ao divulgar as suas primeiras estimativas para a nova temporada, iniciada oficialmente em 1º de abril.

Segundo ele, o centro-sul do Brasil terá uma moagem recorde de cana de 644 milhões de toneladas, um crescimento de 6,4 por cento ante o resultado histórico obtido no ciclo anterior, que vai se refletir nos maiores volumes de produção açúcar e etanol já vistos em uma safra.

Com o clima favorecendo o desenvolvimento dos canaviais até o momento, a projeção é de uma produção de açúcar de 34,8 milhões de toneladas, ante 30,8 milhões em 15/16. Já a estimativa para o etanol é de uma produção de 29,1 bilhões de litros, ante 27,65 bilhões na temporada passada.

"Safra grande e com bons preços. Lembra a safra 2010/11. A chuva foi a responsável pelo aumento da cana no campo."

Segundo ele, a projeção de boas cotações do açúcar para as usinas se baseia em fundamentos de um mercado deficitário no mundo, com redução nos estoques.

"O Brasil (com a safra recorde) vai reduzir o déficit global, não vai fazer superávit", afirmou ele.

Em entrevista à Reuters, Borges estimou que o preço do açúcar deverá ter uma média de 56 centavos de real por libra-peso na safra 16/17, ante 47,50 centavos de média na temporada passada.

"Esse preço remunera completamente todos os custos de produção, inclusive a despesa financeira, uma situação que a gente não via há três anos", afirmou.

Borges ponderou, no entanto, que as empresas em pior condição financeira poderão enfrentar mais desafios para comercializar a produção nos melhores momentos.

"O desafio é vender bem, a usina com problema não tem caixa para poder segurar estoque", disse ele, estimando que cerca de 25 por cento do setor está em situação pior, parcela essa que "não vai conseguir aproveitar a situação favorável de mercado integralmente".

BATER NO TETO

A Job prevê ainda que um volume de cerca de 36 milhões de toneladas de cana da safra 16/17 deverá ser deixado nos campos, para a colheita na temporada seguinte, uma vez que o setor não tem capacidade para moer mais do que o projetado, após baixos investimentos nos últimos anos de crise.

"Batemos no teto", disse Borges.

Ele não acredita que ocorrerão investimentos para aumentar a capacidade. "Vão sanear as finanças e reduzir custos, não vejo de forma geral investimentos para aumento de capacidade, vejo investimento para otimizar."

Com essa limitação de capacidade de moagem e uma safra recorde, o consultor avalia que o setor de uma maneira geral não terá como produzir muito mais açúcar do que o projetado, apesar de os preços futuros mostrarem cotações remuneradoras.

Segundo ele, o "mix" de cana para o açúcar passará a 42,4 por cento do total colhido, ante 40,6 na temporada passada, e não aumentará mais por causa da restrição de capacidade da fábrica, uma vez que a prioridade da usina será moer toda a cana que ela conseguir.

Borges explicou que, por questões industriais, a usina teria que reduzir o ritmo de moagem se ela quisesse produzir mais açúcar.

Ainda assim, as exportações de açúcar do centro-sul em 16/17 crescerão mais de 10 por cento, para 25 milhões de toneladas, o que permitirá ao Brasil (maior produtor e exportador mundial) representar cerca de 48 por cento das vendas externas globais, perto da maior fatia do comércio global já atingida, de 50 por cento.

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