Dólar sobe mais de 1% ante real com BC, antes de votação de impeachment

sexta-feira, 15 de abril de 2016 10:31 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar avançava mais de 1 por cento frente ao real nesta sexta-feira, pressionado pela intensa atuação do Banco Central, enquanto o bom humor imperava na última sessão antes da votação do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.

Às 10:29, o dólar avançava 1,34 por cento, a 3,5225 reais na venda, após atingir 3,5260 reais na máxima do dia. O dólar futuro subia cerca de 1 por cento.

"O foco total e completo está na Câmara. O BC pode até moderar o movimento de queda, mas o que vai determinar a tendência do câmbio nas próximas semanas é a política", disse o operador da corretora B&T Marcos Trabbold.

A Câmara dos Deputados vota no domingo a abertura ou não do processo de afastamento da presidente Dilma e expectativas de aprovação vêm exercendo forte pressão de baixa sobre o dólar, sobretudo nos últimos dias. Muitos operadores acreditam que eventual troca de governo poderia trazer de volta a confiança dos investidores na economia brasileira.

O BC reagiu reforçando sua intervenção no câmbio, acelerando muito a redução de seu estoque de swaps cambiais tradicionais, equivalentes a compra futura de dólares.

Nesta sessão, vendeu 80 mil swaps cambiais reversos, que funcionam como compra futura de dólares, todos com vencimento em 1º de julho deste ano. E já anunciou outro leilão de mais até 40 mil contratos, o que levou o dólar às máximas do dia.

Também contribuía para pressionar o câmbio no Brasil o ambiente externo desfavorável, com investidores preferindo estratégias mais defensivas antes da reunião de produtores de petróleo no fim de semana. Poucos esperam que o encontro resulte em acordo para congelar a produção global, levando a commodity a recuar nesta sessão.

"Temos motivos para o dólar subir hoje, mas isso será completamente ofuscado se o impeachment passar na Câmara no fim de semana", disse o operador de uma corretora internacional.

(Por Bruno Federowski)