ENTREVISTA-Milho caro zera margens operacionais de frangos e suínos da Aurora

sexta-feira, 15 de abril de 2016 14:58 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - A Cooperativa Central Aurora, uma das maiores produtoras de aves e suínos do país, enfrenta margens operacionais zeradas ou até "ligeiramente no vermelho" neste momento de escassez de milho no mercado doméstico e de preços elevados da principal matéria-prima da ração animal.

A Aurora, que compete no setor de aves e suínos com BRF e JBS, compra 1,5 milhão de toneladas de milho por ano para abastecer as operações e dezenas de milhares de cooperados que se espalham pela região Sul do país.

Após meses de intensas exportações de milho, o país viu seus estoques enxugados, causando dificuldades para indústrias consumidoras. A solução nas últimas semanas, com agricultores segurando vendas da colheita de verão, tem sido a importação de milho da Argentina e do Paraguai.

"Mas as importações ainda vêm em custo elevado, porque foram consolidadas algumas semanas atrás (com um dólar mais valorizado)... As margens operacionais com milho nos atuais patamares acima de 45 reais por saca, realmente dificultam", disse à Reuters o vice-presidente da Aurora, Neivor Canton.

"A margem operacional oscila entre o zero a zero e o ligeiramente vermelho", disse.

Segundo ele, o valor pago pelo milho no oeste de Santa Catarina, onde está a maior parte das operações da Aurora, estaria acima de 50 reais se dependesse apenas da oferta escassa dos produtores brasileiros.

A expectativa é que a situação se normalize na virada do primeiro para o segundo semestre, quando começa a colheita da segunda safra de milho no Paraná e no Centro-Oestre --a chamada "safrinha", que representa dois terços da produção anual do país.

"A gente espera que os preços caiam para 35 a 36 reais por saca, o que vai permitir a retomada das margens operacionais", afirmou o executivo.   Continuação...