Milho dos EUA será competitivo no Nordeste do Brasil com fim de tarifa

sexta-feira, 15 de abril de 2016 17:31 BRT
 

Por Gustavo Bonato e Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Uma eventual derrubada de tarifa para importações de milho de fora do Mercosul pode tornar o grão dos Estados Unidos efetivamente competitivo no mercado do Nordeste, fazendo frente às compras na Argentina em um momento de escassez do produto brasileiro, apontaram estimativas da consultoria INTL FCStone nesta sexta-feira.

A proposta de zerar o imposto de 10 por cento foi feita no início da semana pelo Ministério da Agricultura, numa tentativa de elevar a oferta do cereal no país, após meses de fortes exportações que tiveram impacto para as indústrias brasileiras de aves e suínos, obrigadas a pagar preços elevados pelo grão.

Como alternativa, as indústrias de todo o país estão importando milho da Argentina e do Paraguai, aproveitando uma maior oferta do grãos naqueles mercados e as isenções tarifárias do Mercosul.

Oferta competitiva de um outro mercado, como os Estados Unidos, os maiores exportadores mundiais, dará mais uma opção para os produtores carnes, que poderão elevar as importações para estimadas 1 milhão de toneladas em 2016, os maiores volumes importados pelo Brasil desde o ano 2000.

"O Nordeste como um todo é deficitário em milho. Esse preço de hoje (cobrado no mercado doméstico) é muito fora do normal", destacou a analista de mercado Ana Luiza Lodi, da FCStone.

O preço solicitado por vendedores locais na região de Fortaleza (CE), está em 54 reais por saca (259 dólares por tonelada), uma alta de 56 por cento ante um ano atrás, estimou a analista.

Por outro lado, somando-se os preços do milho nos portos norte-americanos do Golfo do México, custos de embarque e uma estimativa conservadora de frete, a tonelada de grão poderia chegar ao porto de Fortaleza a cerca de 40 reais por saca (190 dólares por tonelada), já computando a isenção tarifária.

Para o presidente da Associação Cearense de Avicultura, João Jorge Reis, as aquisições de milho norte-americano vão ocorrer se "os Estados Unidos chegarem mais barato ainda" que o produto argentino, o que não é uma realidade no momento.   Continuação...