Setor elétrico não vê ruptura com eventual saída de Dilma, mas espera ajustes e privatizações

segunda-feira, 18 de abril de 2016 12:43 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff pela Câmara dos Deputados no domingo cria no setor elétrico expectativas sobre o que seria um eventual governo liderado pelo hoje vice-presidente Michel Temer.

Embora não se espere uma grande reformulação da política para o segmento, o mercado aposta em ajustes na regulamentação e em privatizações.

O processo de impeachment agora vai ao Senado, onde uma ratificação da decisão dos deputados levaria ao afastamento de Dilma por até 180 dias, período em que Temer seria seu substituto interino.

Para analistas e especialistas da área de energia, o fim do impasse sobre o futuro da presidente seria muito positivo, uma vez que há um clima de apreensão entre os investidores desde dezembro, quando foram dados os primeiros passos no processo de impedimento.

"Do jeito que está tudo parado --nada vai para a frente, e muita coisa vai para trás--, qualquer mudança vai trazer uma melhora para o cenário", afirmou a diretora da consultoria Thymos Energia, Thais Prandini.

O presidente do Fórum de Associações do Setor Elétrico (Fase), Mario Menel, que representa investidores em energia junto ao governo, tem opinião semelhante.

"Essa insegurança não é boa para ninguém, tem que passar essa fase o mais rapidamente possível para que tenhamos mínimas condições de ter um ambiente de negócios... hoje o ambiente está muito ruim, tanto que você tem um excesso de ativos à venda no setor elétrico", afirmou.

Não há, contudo, perspectivas de grandes rupturas em um novo governo. A aposta é principalmente na retomada de debates sobre ajustes na regulação, que pouco avançaram nos últimos anos, após uma década do setor sob forte influência de Dilma --primeiro como ministra de Minas e Energia do governo Lula e depois como chefe da Casa Civil e presidente.   Continuação...