Como uma disputa de acionistas derrubou a Usiminas

segunda-feira, 18 de abril de 2016 15:55 BRT
 

Por Stephen Eisenhammer e Alberto Alerigi Jr.

CUBATÃO/SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - Em uma manhã de setembro de 2014, o conselho de administração de 10 integrantes da Usiminas se reuniu no nono andar de uma torre de vidro e aço em São Paulo.

Na sala, os membros discutiram sobre a demissão do presidente-executivo e de dois vice-presidentes após auditorias terem determinado que receberam pagamentos excessivos. A batalha dali em diante ficou clara, segundo apurou a Reuters junto a várias pessoas que participaram da reunião.

De um lado, o grupo japonês Nippon Steel, parte da Usiminas desde a fundação da empresa há 60 anos, insistiu na demissão dos executivos.

Em defesa dos executivos ficou a empresa para qual trabalharam antes, Ternium, grupo siderúrgico que é parte do conglomerado ítalo-argentino Techint. A Ternium ingressou no grupo de controle da Usiminas em 2012 para ter presença no maior e mais protegido mercado de aço do continente.

O impasse marcou o agravamento de um conflito entre os dois controladores da Usiminas que só parece estar se resolvendo este ano, após a empresa ser obrigada a pedir suspensão de obrigações financeiras bilionárias junto a bancos e diante da possível divisão da companhia entre os sócios, afirmaram fontes com conhecimento do assunto à Reuters.

Decisões de conselho desde então têm sido marcadas por declarações públicas discordantes mas, diante da gravidade da situação financeira, nesta segunda-feira houve uma rara decisão unânime na aprovação de um aumento de capital de 1 bilhão de reais a ser feito ainda neste semestre.

A mais tensa disputa corporativa vivida no Brasil nos últimos anos foi intensificada por um choque de culturas e suspeitas mútuas sobre contratos com fornecedores, segundo entrevistas da Reuters com uma série de executivos e ex-funcionários da companhia, incluindo membros do conselho de administração, líderes sindicais e advogados.

A Usiminas parou de produzir aço em Cubatão, desacelerou trabalho em minas e demitiu milhares de trabalhadores, em meio a problemas agravados pela pior recessão no Brasil em décadas.   Continuação...