DIs fecham em queda após Câmara aprovar processo de impeachment contra Dilma

segunda-feira, 18 de abril de 2016 16:48 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos de juros futuros fecharam em queda nesta segunda-feira, em especial os contratos mais longos, após a Câmara dos Deputados aprovar abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

"Em alguma medida, a decisão (da Câmara) já era esperada, mas a expectativa é de política fiscal melhor no médio prazo", disse o estrategista de renda fixa da corretora Coinvalores, Paulo Celso Nepomuceno.

Na noite passada, a Câmara dos Deputados aprovou por 367 votos a continuidade do processo de impeachment, superando com alguma margem os 342 necessários. Agora, a matéria precisa ser aprovada no Senado, que deverá assegurar que o vice-presidente Michel Temer assuma o comando do país pelo menos interinamente.

"O afastamento (da presidente) é uma questão de tempo. Depois dessa votação na Câmara, conseguir maioria simples no Senado não vai ser difícil", disse o superintendente de derivativos de uma gestora de recursos internacional.

Expectativas de que um novo governo teria mais facilidade para aprovar medidas de ajuste fiscal no Congresso e mais credibilidade nos mercados financeiros já haviam trazido os DIs para baixo nas últimas semanas. As expectativas agora ficam voltadas para o perfil da eventual nova equipe econômica.

O contrato para janeiro de 2021 já havia acumulado queda de 0,58 ponto percentual neste mês até sexta-feira, para fechar este pregão com nova baixa de 0,18 ponto. Muitos operadores realizaram lucros após esse tombo, limitando o espaço para baixas mais expressivas nesta sessão.

"Terá o novo presidente tempo e apoio para implementar as medidas para que consigamos retomar o crescimento? São reformas importantes e impopulares que devem ser discutidas", escreveram analistas da corretora Lerosa Investimentos em nota a clientes.

Os DIs mais curtos apresentaram variações menores, já que operadores esperam que os juros básicos sejam mantidos em 14,25 por cento na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 27 de abril.

Segundo especialistas, a curva de juros futuros apontava chances de cortes da Selic em meados do ano, mas muitos operadores reconhecem que a precificação está distorcida pela euforia política.