Agronegócio do país crê no andamento do Plano Safra apesar de crise política

segunda-feira, 18 de abril de 2016 18:33 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - O processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff avança em um momento crucial de definição governamental dos recursos e juros de financiamento do Plano Safra 2016/17, mas representantes do agronegócio avaliaram nesta segunda-feira que o programa terá encaminhamento dentro do governo federal, apesar das incertezas geradas pela crise política.

O setor do agronegócio, de maneira geral, posicionou-se a favor do impeachment da presidente. Independente disso, diante dos problemas políticos e das dificuldades do governo para equilibrar as suas contas, não há grandes expectativas de aumento nos recursos ou de juros mais favoráveis.

"A nossa visão é a seguinte: o Brasil não é uma república de bananas... disseram que estamos fazendo golpe, mas tem um processo institucional... Do mesmo modo, o Estado está aí, tem uma série de regramentos que não mudam da noite para o dia", afirmou o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gustavo Junqueira, em entrevista à Reuters.

O plano anterior teve volumes recordes de 187,7 bilhões de reais, anunciados em junho do ano passado, mas com uma maior oferta de financiamentos a juros livres de mercado.

Incertezas sobre aquele plano, ao longo do primeiro semestre de 2015, além de atrasos na antecipação de recursos, travaram muitos negócios de aquisição de máquinas e insumos para a nova safra, numa prova da grande relevância das linhas de crédito oficiais para a agricultura do Brasil.

Segundo Junqueira, os compromissos são estabelecidos com o Banco do Brasil, o principal financiador do agronegócio, e com os ministérios do Planejamento e da Fazenda, enquanto a pasta da Agricultura aponta as necessidades de recursos ou eventual mudança na alocação.

"Entendo que esse processo já está encaminhado, então todas as discussões já estão sendo feitas. Imagino que ninguém vai jogar tudo isso para cima, assumindo que a ministra (Katia Abreu) é senadora e que a bancada do agronegócio tem bastante força", acrescentou.

Ele ressaltou ainda que, na atual condição econômica, não há expectativa de um juro controlado mais baixo em 2016/17.   Continuação...