ENTREVISTA-JBS avalia reabertura gradual de fábricas na Argentina

sexta-feira, 22 de abril de 2016 10:43 BRT
 

Por Guillermo Parra-Bernal e Tatiana Bautzer

SÃO PAULO (Reuters) - A JBS, maior processadora de carne bovina do mundo, está considerando a reabertura gradual de suas instalações de abate e processamento de carne na Argentina, onde o novo governo eliminou os impostos sobre as exportações de carne que prejudicaram o setor por anos, disse um executivo sênior da companhia à Reuters.

A JBS, com sede em São Paulo, atualmente tem uma unidade operando abaixo da capacidade em Rosario, a terceira cidade mais populosa da Argentina.

A companhia vai esperar até que a unidade de Rosario volte a operar a plena capacidade antes de reativar outras quatro instalações de processamento de carne, disse o presidente das operações sul-americanas da companhia, Enéas Pestana.

As operações em funcionamento atingiram o ponto de equilíbrio financeiro este ano, contando pontos a favor de uma reabertura de outras instalações, afirmaram duas fontes com conhecimento do plano. A JBS também tem um centro de distribuição e um curtume no país.As operações de exportadores de carne bovina na Argentina e a demanda por ativos relacionados melhoraram desde que o presidente Mauricio Macri, favorável ao mercado, assumiu em dezembro e rapidamente suspendeu impostos e restrições comerciais sobre o setor.

"As mudanças certamente melhoraram a situação e ajudaram na reativação da indústria de carne" na Argentina, disse Pestana na entrevista realizada no final da quarta-feira.

POLÍTICAS DE MACRI

As exportações de carne da Argentina começaram este ano a um ritmo anual de 200 mil toneladas e o governo Macri pretende aumentar esse volume em 60 por cento no próximo ano. Doze anos atrás, a Argentina era a segunda maior exportadora de carne bovina do mundo.

Em dezembro, Macri suspendeu impostos nas exportações agrícolas para impulsionar exportações e revigorar o baixo estoque de reservas internacionais da Argentina. Com a decisão, Macri retirou impostos das exportações de grãos e carnes instituídos por sua antecessora Cristina Kirchner, enquanto reduziu os impostos sobre os derivados da soja. A JBS, cujas operações vão desde a América do Norte até à Austrália, começou uma expansão global agressiva com a compra de ativos argentinos em 2005.

A capacidade de abate na fábrica de Rosario foi recentemente ampliada para 2.200 animais por dia ante 1.200, afirmou Pestana, acrescentando que o ritmo atual está em cerca de 400 animais.