Eletrobras é pressionada por sócios por queda no retorno da hidrelétrica Belo Monte

segunda-feira, 25 de abril de 2016 11:52 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Eletrobras tem sido pressionada por seus sócios na Norte Energia, grupo formado para construir e operar a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, devido a uma perspectiva de redução da taxa de retorno da usina, que iniciou operação comercial na semana passada.

Um acirramento da disputa poderá até mesmo terminar em um tribunal de arbitragem, afirmou à Reuters um conselheiro da empresa que representa a Eletrobras.

Belo Monte precisava vender cerca de 20 por cento de sua energia, que ainda está descontratada, para liberar uma parcela restante de 2 bilhões de reais de financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas não conseguirá o preço exigido pelo banco para fechar a operação, que é de 185 reais por megawatt-hora.

Atualmente, com a recessão econômica e a elevação das tarifas, a demanda caiu e jogou os preços da eletricidade no mercado a patamares de 2012, de cerca de 122 reais por megawatt-hora, segundo a consultoria Dcide.

A hidrelétrica chegou a ser autorizada a participar do leilão de energia A-5, agendado para a próxima sexta-feira, mas o preço-teto para a usina na licitação ficou em 115 reais por megawatt-hora, um valor visto como insuficiente para o empreendimento.

"Quando entramos no leilão (da concessão de Belo Monte), em 2010... todo mundo imaginava que a (demanda por) energia necessária para tocar o Brasil era cada vez maior... agora os sócios vão ter que bancar um lucro menor que eles esperavam. O projeto não dá prejuízo em si, mas a taxa de retorno reduz substancialmente", afirmou à Reuters o conselheiro da Norte Energia, José Ailton de Lima.

A principal tensão no conselho da Norte Energia, que tem como outros sócios Cemig, Light, Neoenergia, Vale e fundos de pensão, está em torno de um contrato com a Eletrobras.

Os acionistas entendem que a estatal havia se comprometido a adquirir a fatia descontratada da energia de Belo Monte no caso de não haver comprador, mas a Eletrobras entende que tinha apenas um direito de preferência na transação.

"Tem uma parte dos sócios pressionando a Eletrobras... já disse a eles que essa situação é inadmissível, a Eletrobras tem direito de preferência, e não obrigação de comprar. Vai ser uma briga longa, isso pode até terminar numa arbitragem", afirmou Lima.   Continuação...