Setor automotivo quer maior flexibilidade trabalhista, diz novo presidente da Anfavea

segunda-feira, 25 de abril de 2016 16:22 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O setor automotivo vai defender maior flexibilização das leis trabalhistas no Brasil para evitar um número ainda maior de demissões, disse o novo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), Antonio Megale.

Megale, 59, que assumiu a presidência da Anfavea nesta segunda-feira, disse que vai pleitear que o governo federal adote mecanismos mais perenes de manutenção do emprego, como o uso do Programa de Proteção ao Emprego(PPE)em momentos de crise e a formalização de mecanismos que garantam a supremacia de acordos entre patrões e empregados sobre leis trabalhistas.

"Estamos muito preocupados em manter o nível de emprego e evitar novas demissões, também porque temos uma mão-de-obra especializada é não é bom perdermos esses profissionais", disse ele a jornalistas nesta segunda-feira.

O número de trabalhadores na indústria automotiva brasileira caiu 17,4 por cento, desde o fim de 2014 até o mês passado, para 128,5 mil.

Segundo a Anfavea, cerca de 39 mil empregados do setor estão com o contrato de trabalho temporariamente suspenso (layoff) ouprotegidos pelo PPE, que permite às empresas reduzir em até 30 por cento os custos com salários em troca da manutenção do emprego.

Criado no ano passado pelo governo federal, o PPE tem duração prevista até o final deste ano.

Mesmo com a redução de pessoal, a entidade diz que o nível de ociosidade na indústria é de cerca de 50 por cento na produção de automóveis e de 80 por cento na de caminhões.

Um dos setores que mais se beneficiou do ciclo de crescimento da economia brasileira na década passada, a indústria automobilística tem sido também uma das que sentem mais intensamente a desaceleração do país. O setor ruma para o quarto ano consecutivo de queda nas vendas e o terceiro de recuo na produção, atingindo níveis de uma década atrás.

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