Temer diz que, se assumisse hoje a Presidência, Meirelles iria para Fazenda, diz O Globo

terça-feira, 26 de abril de 2016 15:58 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O vice-presidente Michel Temer afirmou em entrevista ao jornal O Globo, nesta terça-feira, que, se assumisse a Presidência hoje, Henrique Meirelles seria seu ministro da Fazenda, pois ficou "muito bem impressionado" com o ex-presidente do Banco Central do governo Luiz Inácio Lula da Silva após a conversa que tiveram no sábado passado.

Na entrevista publicada no site do jornal, Temer disse ainda que delegaria a Meirelles a tarefa de escolher o presidente do BC e outros integrantes da equipe.

"Falei Meirelles porque, hoje, estou com esse nome na cabeça. Repito: fiquei muito bem impressionado com a conversa que tive com ele. Então, confesso que se eu tivesse que assumir hoje, o ministro da Fazenda seria ele. Mas, nenhum de nós sabe o que vai acontecer amanhã", afirmou Temer ao jornal.

Temer disse ainda que apenas fez "sondagens" para as pessoas com quer trabalhar se eventualmente assumir o lugar da presidente Dilma Rousseff, cujo processo de impeachment tramita no Senado.

"Eu me encontro numa situação muito difícil. Não posso, em respeito ao Senado, tratar da formação de um eventual governo, mas tenho que estar preparado para, conforme o rito, assumir o governo no dia seguinte, caso a decisão seja pelo afastamento temporário da senhora presidente da República", afirmou ele ao jornal.

"Diante dessa realidade, claro que sou obrigado a realizar sondagens. Mas não tenho assumido compromissos com ninguém. O máximo que tenho feito é dizer para a pessoa: 'posso, se for necessário, te procurar brevemente para uma conversa mais objetiva'", disse.

Sobre o senador José Serra (PSDB-SP), Temer disse se tratar de "um homem que cabe em qualquer governo", mas que a ida dele para seu eventual governo dependeria do PSDB. O vice-presidente indicou, no entanto, que Serra iria para uma pasta social, e não para equipe econômica.

 
Vice-presidente Michel Temer no Palácio do Planalto, Brasília.    25/04/2016    
 REUTERS/Ueslei Marcelino