Dólar cai e se aproxima de R$3,50, sem BC e de olho em cena política

terça-feira, 26 de abril de 2016 17:26 BRT
 

Por Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar caiu nesta terça-feira, aproximando-se do patamar de 3,50 reais, após o Banco Central não realizar intervenções no mercado de câmbio pelo segundo dia seguido e diante do mercado externo à espera da decisão do Federal Reserve, banco central norte-americano, no dia seguinte.

O mercado local também continuou de olho na cena política do país, com os próximos passos do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado e a formação da equipe econômica no eventual governo de Michel Temer.

O dólar recuou 0,83 por cento, a 3,5191 reais na venda, acumulando queda de 1,43 por cento em duas sessões. O dólar futuro recuava cerca de 1,10 por cento no fim desta tarde.

"O Banco Central não entrou e o mercado deu essa recuada mais forte também para ver qual seria o piso do dólar para o BC", disse o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues

O BC não anunciou intervenção nesta sessão, repetindo a estratégia da véspera, quando também ficou recolhido. O BC vinha realizando leilões de swaps cambiais reversos --equivalentes a compra futura de dólares-- de forma intensa nas semanas passadas, mas diminuiu o ritmo nos últimos dias, ficando de fora do mercado em três das seis sessões após a aprovação da abertura do processo de impeachment na Câmara dos Deputados.

Nesta terça-feira, o Senado instalou a comissão espacial que analisará o impeachment da presidente, elegendo Raimundo Lira (PMDB-PB) para a presidência e Antonio Anastasia (PSDB-MG) para a relatoria. Pelos prazos definidos, o afastamento de Dilma poderá ser votado no plenário do Senado no dia 11 de maio.

Com isso, o mercado seguiu monitorando os possíveis nomes que devem formar a equipe de Michel Temer, caso o impeachment seja concretizado. Em entrevista ao jornal O Globo, Temer afirmou que, se assumisse a Presidência hoje, o ex-presidente do BC Henrique Meirelles seria seu ministro da Fazenda e teria a tarefa de escolher o presidente da autoridade monetária.

"Os nomes que têm saído para um governo Temer são nomes que têm credibilidade no mercado", disse o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mário Battistel.   Continuação...