Temer combaterá crise fiscal sem elevar impostos, diz Jucá

quarta-feira, 27 de abril de 2016 15:29 BRT
 

Por Anthony Boadle e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - O reequilíbrio das contas fiscais e a restauração da confiança serão as prioridades de um novo governo liderado pelo vice-presidente Michel Temer, mas elevar impostos ainda não está em questão, disse o presidente interino do PMDB, senador Romero Jucá (RR), nesta quarta-feira.

Jucá disse a jornalistas estrangeiros que um novo governo vai considerar uma reforma do oneroso sistema previdenciário. Temer substituirá a presidente Dilma Rousseff se, como é esperado, o Senado afastá-la temporariamente do cargo para começar seu processo de impeachment no meio de maio.

"Elevar os impostos não é a primeira opção... em um momento de recessão, elevar os impostos não aumenta as receitas", declarou Jucá, economista que está sendo cotado para o cargo de ministro do Planejamento.

Para restaurar rapidamente a confiança na economia brasileira, Jucá disse que a próxima administração tem que revisar o que ele chamou de níveis de gastos públicos "insustentáveis" e pode até discutir a implantação de um limite para a dívida pública.

Ele se recusou a detalhar como o eventual governo pode reduzir os gastos, mas reconheceu que uma administração Temer pode cortar o número de ministério para economizar.

Temer só elevará os impostos sob "circunstâncias extremas" para reforçar as contas públicas, disse outro assistente próximo a Temer.

Segundo uma fonte, que pediu para não ser identificada, Temer descartou um imposto como a CPMF, mas pode considerar elevar alíquotas do IOF ou da Cide.

Jucá ressaltou que Temer ainda não convidou ninguém para fazer parte de seu eventual ministério e que fará isso apenas depois de o Senado decidir se afasta Dilma.   Continuação...

 
Senador Romero Jucá concede entrevista em São Paulo.  20/4/2016.  REUTERS/Paulo Whitaker