Para Bradesco, inadimplência só cai a partir de 2018

quinta-feira, 28 de abril de 2016 13:15 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A recessão em curso no país deve fazer o índice de inadimplência do Bradesco continuar subindo até o fim do ano, antes de experimentar uma estabilização em 2017 para só passar a cair no ano seguinte, disse nesta quinta-feira um executivo do banco.

"Podemos verificar algum aumento (da inadimplência) nos próximos trimestres, mas em menor ritmo do que até agora", disse o diretor de relações com investidores do Bradesco, Luiz Carlos Angelotti, em teleconferência com jornalistas. "Pode ter uma estabilização no ano que vem e queda em 2018."

O banco divulgou mais cedo que seu lucro líquido do primeiro trimestre caiu levemente na comparação anual, devido em parte a um salto nas despesas com provisões para calotes, após o índice de inadimplência acima de 90 dias ter atingido 4,2 por cento, o pico em quase quatro anos.

As despesas com provisões para perdas no trimestre deram um salto de 52 por cento sobre um ano antes, para 5,45 bilhões de reais. O banco explicou que o movimento foi influenciado por uma provisão de 836 milhões de reais para um cliente corporativo específico da área de óleo e gás.

Segundo Angelotti, com essa reserva, a provisão feita para a empresa chegou a 70 por cento do total, incluindo aí provisões anteriores equivalentes a 10 por cento do financiamento.

Perguntando se a cliente é a afretadora de sondas para exploração de petróleo Sete Brasil, cujos sócios aprovaram recentemente o pedido de recuperação judicial, Angelotti declinou de revelar o nome da companhia.

O Bradesco considerou essa provisão como não extraordinária. Na prática, isso significa que o volume de provisões para calotes poderia seguir em níveis semelhantes nos próximos trimestres.

Se isso acontecer, o banco pode terminar 2016 com provisões acima do que ele mesmo estimou para o ano, de 16,5 bilhões a 18,5 bilhões de reais.

No entanto, Angelotti considerou que o valor previsto é considerado adequado pelo banco, que não vislumbra ainda a necessidade de uma revisão.

O executivo afirmou na teleconferência que ainda enxerga espaço para ampliação da margem financeira em 2016 e disse ainda esperar que as despesas administrativas, que subiram 11 por cento em 12 meses até março, desacelerem ao longo do ano, chegando a dezembro a um nível similar ao da alta da inflação.

Às 13h, as ações do Bradesco exibiam queda de 2,2 por cento, enquanto o Ibovespa mostrava alta de 0,5 por cento.