Crise da Abengoa pode afetar sistema elétrico do Brasil até 2020, dizem ONS e EPE

quinta-feira, 28 de abril de 2016 16:43 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Os problemas da elétrica espanhola Abengoa, que paralisou obras de linhas de transmissão no Brasil em novembro passado em meio a uma crise financeira, podem gerar impactos para o sistema elétrico do país até 2020, de acordo com estudo do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE) visto pela Reuters.

O principal problema seria a limitação na quantidade de energia que pode ser enviada para outras regiões do país por usinas no Norte, como a mega hidrelétrica de Belo Monte, que em diversos momentos poderá não conseguir gerar a toda carga devido à falta de linhas de transmissão.

A Abengoa tem cerca de 6,3 mil quilômetros em linhas a serem implantadas no Brasil, atualmente paralisadas, a maioria entre o Norte e o Nordeste, segundo informações do site da companhia.

O estudo, que considera o cenário de as obras da Abengoa não serem concluídas antes de 2020, foi preparado por ONS e EPE a pedido do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que reúne autoridades federais em energia, e apresentado em reunião realizada pelo órgão em março.

Como o Norte possui a menor demanda do país e ao mesmo tempo enormes usinas, como Belo Monte e Tucuruí, a região exporta energia para outras regiões.

Mas os problemas da Abengoa devem resultar no Norte em geração maior que a disponibilidade de transmissão já em agosto deste ano, o que poderá perdurar até o início de 2020.

O ONS aponta que a geração média prevista deverá ser maior que a capacidade das linhas no início de 2017, época de chuvas, que aumentam a capacidade de produção das hidrelétricas, o que se repetiria nos primeiros meses de 2018 e de 2019.

Em 2017, a restrição alcançaria uma máxima de 1,2 mil megawatts médios no período úmido, mostra o estudo, o que representa aproximadamente a capacidade de geração de uma hidrelétrica do porte de Teles Pires, no Mato Grosso, orçada em 4,5 bilhões de reais.   Continuação...