29 de Abril de 2016 / às 14:32 / um ano atrás

Brasil tem déficit primário de R$10,644 bi, recorde para março; swaps ajudam nominal

Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília 23/09/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

BRASÍLIA (Reuters) - O setor público consolidado brasileiro registrou déficit primário de 10,644 bilhões de reais em março, pior resultado para o mês desde o início da série do BC, encerrando o primeiro trimestre com rombo de 5,771 bilhões de reais, em meio ao cenário de recessão econômica que tem afetado fortemente as receitas.

Os ganhos cambiais, com a queda do dólar frente ao real, por outro lado, reduziram significativamente o rombo nominal no mês passado, mostrou o Banco Central nesta sexta-feira.

Em março, a conta de juros ficou positiva pela primeira vez na série do BC (iniciada em dezembro de 2001), em 648 milhões de reais, na esteira do resultado favorável de 42,697 bilhões de reais com as operações de swap cambiais, diante da queda de 10,17 por cento do dólar frente ao real no período.

Dados preliminares do BC sobre abril, até o dia 22, mostram ganhos com swaps de 9,351 bilhões de reais. Swaps cambiais são contratos que equivalem à compra ou venda futura de dólares.

Com isso, o déficit nominal --receitas menos despesas, incluindo pagamento de juros da dívida-- do setor público ficou em 9,995 bilhões de reais em março, bem menor que o rombo de 69,249 bilhões de reais de igual mês de 2015.

“Estávamos acostumados a ver no ano passado perda muito grande de swaps para o Banco Central... O que aconteceu agora foi um efeito simétrico disso”, afirmou o chefe-adjunto do departamento Econômico do BC, Fernando Rocha.

Ele acrescentou, no entanto, não se tratar de uma tendência. “Não se deve esperar que existam receitas liquidas de juros nos próximos meses”, acrescentou.

DETALHES

Só em março, o governo central (governo federal, BC e INSS) teve déficit primário de 8,944 bilhões de reais, acumulando no trimestre saldo negativo de 14,479 bilhões de reais.

O saldo também ficou negativo para governos regionais (Estados e municípios), em 893 milhões de reais, em março, mas no trimestre acumularam saldo positivo de 9,815 bilhões de reais na economia feita para pagamento de juros da dívida.

Segundo o BC, as empresas estatais registraram déficit primário de 806 milhões de reais em março, acumulando no trimestre rombo de 1,107 bilhões de reais.

No acumulado em 12 meses, o déficit primário foi a 2,28 por cento do PIB. A meta de superávit primário para o setor público consolidado é de 30,6 bilhões de reais no ano, equivalente a 0,5 por cento do PIB.

Mas confrontado com o cenário de despesas em alta e receitas em declínio, o próprio governo pediu aval ao Congresso Nacional para o setor público registrar déficit primário de até 96,05 bilhões de reais neste ano.

Se confirmado, será o terceiro rombo primário consecutivo do Brasil. O desarranjo no fronte fiscal tem impacto direto sobre a dívida pública.

Em março, informou ainda o BC, a dívida líquida atingiu 38,9 por cento, acima dos 36,8 por cento no mês anterior. Já a dívida bruta caiu a 67,3 por cento do PIB, contra 67,6 por cento em fevereiro.

Por Marcela Ayres

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