ENTREVISTA-State Grid vê "complexidade" para fechar negócio rápido com Abengoa no Brasil

segunda-feira, 2 de maio de 2016 15:14 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A chinesa State Grid, uma das maiores interessadas nos ativos de transmissão de energia da Abengoa no Brasil, avalia como "boa" a eventual aquisição de linhas em operação e em construção da empresa espanhola, mas considera o negócio extremamente complexo para ser fechado a toque de caixa.

Em entrevista à Reuters, o vice-presidente da State Grid no país, Ramon Haddad, disse ainda que uma posição final sobre um acordo deverá sair no curto prazo, mas possivelmente não com a velocidade esperada pelo governo brasileiro, que tem pressa porque a espanhola paralisou obras no país em meio a uma crise financeira.

Como a Abengoa venceu licitações de importantes linhas de transmissão de energia, o governo tem tentado acelerar as negociações da State Grid com a companhia, para que as obras sejam retomadas e evitem atrasos, que poderiam comprometer o sistema elétrico do Brasil até 2020, segundo estudo da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) publicado pela Reuters.

Haddad disse que as tratativas com os espanhóis já começaram e os termos do negócio foram levados às matrizes de ambas as companhias no exterior.

"A engenharia para nós não é problema... A complexidade está no perfil dos ativos, na natureza da situação dos ativos... estamos atentos às necessidades do país, e, se for viabilizada nossa operação vamos tentar dar um atenção especial ao governo... mas estamos indo com cuidado para não fazer nada errado nem precipitadamente", afirmou Haddad.

A Abengoa tem cerca de 3,5 mil quilômetros de linhas em operação no país, além de cerca de 6,3 mil quilômetros ainda em construção, segundo informações do site da companhia.

"É um operação complexa por envolver ativos de diversas formas (em operação e em diversos estágios de implementação)... com situações financeiras complicadas, riscos associados. Tem contratos já feitos (com fornecedores) e financiamentos associados, que aumentam a complexidade", disse Haddad.

Elevadas dívidas dos projetos da Abengoa com fornecedores, incluindo contratos em dólar, já tinham sido citadas entre os fatores que dificultam a venda dos ativos da companhia no Brasil.   Continuação...