3 de Maio de 2016 / às 11:17 / em um ano

Itaú Unibanco lucra R$5,2 bi no 1º tri; inadimplência e provisões disparam

Agência do Itaú no Rio de Janeiro. 29/01/2014 REUTERS/Sergio Moraes

SÃO PAULO (Reuters) - Um salto nas provisões para perdas com inadimplência e receitas pressionadas devido à retração na carteira de crédito levaram o Itaú Unibanco a queda no lucro do primeiro trimestre.

O maior banco privado brasileiro anunciou nesta terça-feira que seu lucro líquido do período somou 5,184 bilhões de reais, queda ante os 5,733 bilhões em igual período de 2015, o menor desde o segundo trimestre de 2014.

Na base recorrente, o lucro somou 5,235 bilhões de reais no período, queda de 9,9 por cento sobre um ano antes. A previsão média de analistas consultados pela Reuters para esta linha era de 5,195 bilhões de reais.

Numa mão, o índice de inadimplência acima de 90 dias atingiu 3,9 por cento, ante 3 por cento em igual etapa de 2015 e o pico desde setembro de 2013.

Com a alta do desemprego e dos pedidos de recuperação judicial de empresas numa economia em forte recessão, o banco fez provisões para perdas com calotes de 6,4 bilhões de reais, alta de 38,1 por cento na base sequencial e de 43,7 por cento sobre um ano antes. O número já deduz recuperação de crédito.

Em outra frente, o estoque de financiamentos do Itaú Unibanco, incluindo avais e fianças, caiu 4,8 por cento contra o primeiro trimestre do ano passado, a 517,484 bilhões de reais. Sobre dezembro, a queda foi ainda maior, de 5,6 por cento.

A contração foi liderada pelos empréstimos para compra de veículos (-31,2 por cento), para grandes empresas (-9,8 por cento) e das pequenas e médias (-9,9 por cento), todos na comparação ano a ano.

Um efeito desse movimento foi o recuo na margem financeira, que somou 16,6 bilhões no trimestre, montante 207 milhões menor do que no trimestre passado.

As receitas com tarifas e serviços, de 7,17 bilhões de reais, avançaram 4,4 por cento na comparação com o primeiro trimestre do ano anterior, número bem abaixo da variação da inflação no período, de cerca de 10 por cento.

Por outro lado, as despesas não decorrentes de juros, que incluem pagamento de salários, somaram 10,2 bilhões de reais de janeiro a março, recuo sequencial de 8 por cento e aumento de 3,4 por cento sobre um ano antes, também abaixo da inflação.

Mas isso foi insuficiente para impedir uma baixa de 4,5 pontos no retorno sobre o patrimônio líquido anualizado, de 19,7 por cento no trimestre. Em termos recorrentes, a queda foi de 4,6 por cento do índice, que mede como um banco remunera o capital de seus acionistas.

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